Um passeante que eventualmente se perdesse nas Hautes Fagnes teria dificuldade em reconhecer que estava na Bélgica. Turfeiras, charnecas e urzes evocam em geral uma paisagem da Escócia, onde pairam o mistério e o silêncio, e que constituem o que é conhecido como tundra belga.

No Inverno, o planalto das Hautes Fagnes fará lembrar uma tundra russa
A leste de Liège, entre as cidades de Eupen, a norte, e Malmédy, a sul, a região das Hautes Fagnes é uma vasta extensão de pântanos batidos pelos ventos e regados por chuvas abundantes. A humidade aqui é tão grande que as neblinas envolvem quase permanentemente a paisagem. No solo domina a turfa, que servia outrora de combustível aos habitantes da região.
O albergue que é posto de turismo
Não é aconselhável perdermo-nos nestas paragens. Michel Schmitz teve essa percepção e, no início do século XIX construiu um albergue que abrigava os viajantes que o mau tempo ou o cair da noite obrigavam a parar.
Melhor ainda, o cavaleiro de Fischbach pendurou uma sineta à porta do albergue. Quando o tempo estava demasiado mau, faziam-na soar para guiar os viajantes para a luz … Este albergue ainda existe actualmente, transformado num posto de turismo.
Hautes Fagnes é uma reserva natural estritamente vigiada
Um clima rigoroso domina este planalto das Hautes Fagnes, que se tornou uma reserva natural em 1957. Na Primavera, a vegetação tem um atraso de um mês em relação ao resto da Bélgica e, no Outono, a queda das folhas é mais precoce. A fauna e a flora deste espaço de 4200 ha, hoje inteiramente protegida, são aparentadas com as das regiões subalpinas.
Desde 1971 a reserva faz parte do Parque Natural Hautes Fagnes-Eifel, que cobre 700 quilómetros quadrados e se junta ao alemão parque natural de Nordeifel.
Veredas de descoberta das Hautes Fagnes
A partir da placa indicadora de Botrange que, do alto dos seus 694 metros domina toda a Bélgica, é possível tomar uma vereda de descoberta da natureza feita de pranchas que evitam que o caminhante se enterre nas turfeiras. São muitos os caminhantes que vêm apreciar a beleza de uma paisagem que se estende a perder de vista. A cegonha preta só nidifica nesta região.
La Brière e a lenda da inundação
Era uma vez uma imensa floresta que rodeava um castelo no qual estava escondido um tesouro. Para o roubar, um mágico ganancioso inundou a região. Assim nasceu La Brière, um imenso e misterioso pântano situado entre o estuário do rio Vilaine, a norte, o do Loire, a sul, e o Atlântico.
Numa versão menos lendária, esta Camarga armoricana nasceu no decurso de séculos dos sedimentos dos dois rios e à mercê do nível do mar. Canas e juncos cobrem as suas planícies húmidas, percorridas por um labirinto de 170 quilómetros de canais. Aves e peixes procuraram nela refúgio, atraindo também caçadores e pescadores.