Zona bem montanhosa, situada nos contrafortes ocidentais da Serra do Gerês e a sul da Serra Amarela, o Campo do Gerês, ou S. João do Campo, como é mais comummente conhecido, é fortemente marcado pelas duas montanhas e pelo curso inicial do rio Homem.

Pertenceu à comarca de Viana e depois à de Pico de Regalados, anexada ao concelho de Amares, pela supressão do de Terras de Bouro, em 14 de Agosto de 1895, voltando a este após a sua restauração, em 13 de Janeiro de 1898.
Dista da sede do concelho 15 km. Formalmente é chamada de Campo do Gerês também é conhecida por Assento ou S. João de Campo.
Campo foi abadia do padroado e pertenceu aos Templários. Noutros tempos, na véspera e no dia de festa a S. Bartolomeu organizava-se uma procissão na qual participava todo o concelho com todas as suas autoridades. Compareciam todas as cruzes das freguesias do concelho, seguindo para a ermida de Vilarinho, regressando, depois, ao Campo.
Vilarinho das Furnas
À freguesia de Campo do Gerês pertencia a povoação de Vilarinho das Furnas, que já existia no tempo de D. Sancho I e que teve foral em 1218, submersa pela barragem do mesmo nome, onde subsistiram até à sua destruição usanças antigas de regime comunitário – delas apenas resta a existência do forno comum e das vezeiras ou pastoreio comum. Nos dias em que a barragem está vazia (o que só acontece quando é preciso limpá-la), ainda é possível ver as ruínas das velhas casas de pedra de Vilarinho da Furna, paisagem desoladora e de uma solidão absoluta.

Das raízes comunitárias, cujo expoente existia na maravilhosa Vilarinho das Furnas, destruída pela barragem do mesmo nome, pouco resta: o forno do povo e as vezeiras, costumes seculares sobreviventes.
As águas represadas pela barragem atravessam a serra do Gerês num túnel com milhares de metros de comprimento, indo mover as turbinas situadas em Vilar da Veiga e aumentar depois o caudal da Barragem da Caniçada.
Por todo o lugar se encontram restos de construções romanas, alguns padrões da época (a Leira dos Padrões ainda hoje guarda o nome), uma ponte com belos corta-mares e, no cabo da veiga, o sítio chamado Casa da Guarda, com vestígios das fortificações que serviram para recolher as sentinelas dos povos de Bouro, que aqui guardavam incessantemente as fronteiras. E as belas paragens da Geira, a estrada romana, mais os seus marcos miliários, conjunto emoldurado por íngremes rochedos – alguns deles, como é o caso do Castelo, cerca da Portela do Homem, assumindo aspectos curiosos.

Na área da freguesia, num cruzamento de estradas, encontra-se sob um rústico alpendre um velho cruzeiro cujo pilar é constituído por um marco miliário epigrafado encimado por um Cristo de pedra em cruz ocre. Este conjunto é albergado por uma estrutura metálica por fora e forrada em madeira, assente em três pilares de pedra. Nesse entroncamento foi construído o Museu Etnográfico de Vilarinho das Furnas, enquadrado num espaço verde e amplo que leva à reflexão. Esse museu foi feito pela Câmara de Terras do Bouro nos anos 80 com pedras retiradas da aldeia submersa. Lá dentro podem ver-se instrumentos antigos de lavoura e artesanato e também pode obter alguma informação relativa a Vilarinho das Furnas. Junto ao museu, podem ver-se alguns espigueiros. A igreja foi construída em 1718 e no seu telhado pode encontrar-se um relógio de sol. É de características simples tendo forma quadrada. Ainda possui o ponteiro completo, que vai do centro do círculo de marcação das horas, até à base.

Na Serra Amarela subsistem ainda as casarotas (construções de falsa cúpula) onde os pastores e os rebanhos se abrigavam à noite da chuva).
Dos muitos marcos miliários da Geira romana alguns têm sido reaproveitados, como é o caso dos cruzeiros de Sá (Covide) e S. João do Campo, em cuja peanha assenta a imagem do Crucificado, este possui uma cobertura em chapa de zinco de triple água assente em três colunas de pedra. Indica a distância de 27 milhas de Braga.
Ainda em Campo, fica uma ponte romana bastante robusta e com dois talhamares no sentido Norte-poente, e no centro da Póvoação, a Quinta do Abade, cujo portal de Heráldica Eclesiástica ostenta um chapéu cardinalício. Campo é o actual agregado rural pertencente à parte da Serra do Gerês integrada no Parque Nacional de maior carisma comunitário, depois do desaparecimento da aldeia de Vilarinho das Furnas.