Vila da Região Autónoma da Madeira, o Machico encontra-se à beira-mar, na parte nordeste da ilha, no extremo sul de um vale atravessado pela caudalosa ribeira com o mesmo nome, e numa das enseadas mais amplas e pitorescas de todo o arquipélago da Madeira.

Machico
A povoação começou por se instalar junto à encantadora baía, a dez metros de altitude, estendendo-se o Machico posteriormente pelo vale fértil onde a paisagem verdejante é pontilhada pelo colorido das vivendas.
Dotado de clima quente e seco, o Machico conta com praia e com um bom porto, constituindo-se como uma florescente estância de veraneio, sendo esta actividade – a turística – o factor mais importante da sua economia. Para além da componente do Turismo, o Machico é o segundo maior centro piscatório da Madeira.
Nos seus arredores, a sudoeste, podemos encontrar o importante complexo turístico de Água de Pena. Na área que compões toda a extensão do concelho, podemos observar diferenças de clima. Enquanto na zona marítima o clima é quente e seco, com terrenos áridos e bravios. Na zona interior, com maior altitude, a vegetação apresenta-se densa, formando bosques frondosos com clima fresco e húmido.
No seu conjunto a economia do concelho do Machico assenta na agro-pecuária, à excepção da freguesia do Caniçal que vive sobretudo da pesca. Além do porto do Machico, já mencionado, há ainda a zona portuária do Porto da Cruz.
Um pouco de História do Machico
O Machico foi o berço da Região Autónoma da Madeira, estando por isso os seus começos aureolados de história primeva unida a uma lenda romântica que segundo alguns estudiosos tem aspectos históricos verdadeiros.
O topónimo relaciona-se com a lenda histórica pois deriva de Roberto Machim, suposto descobridor da Madeira. Inglês de nascimento para alguns, francês, italiano ou até biscainho, para alguns outros, Machim apaixonou-se por Ana d’Arfet.
Oo amor contrariado levou os dois namorados a fugirem de barco para o Sul de França, mas os ventos contrários arrastaram a embarcação para a Madeira aonde terão aportado pelo ano de 1377. Três dias após a chegada, Ana morreu, e pouco depois Roberto, tendo sido sepultados no local de desembarque a que os sobreviventes deram o nome de Machico.
Os tripulantes do barco atingiram depois Marrocos onde um piloto castelhano, ali prisioneiro, soube do sucedido. Este piloto viria posteriormente a ser aprisionado pelos Portugueses, e terá sido este relato que levou o infante D. Henrique a decidir o povoamento da ilha da Madeira.
Passando da lenda, com laivos de verdade, à história comprovada, sabe-se que foi em Machico que desembarcaram pela primeira vez os descobridores da Madeira, João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, entre 1418 e 1420. Nela se ergueram as primeiras habitações de pedra construídas no arquipélago, tendo sido Machico a sede da 1.ª capitania instituída na Madeira, a 8 de Maio de 1440.
Residência oficial do capitão-donatário Tristão Vaz Teixeira, tornou-se o primeiro centro populacional madeirense.
Não tardou a ser elevado a paróquia e pelo ano de 1451 recebeu a categoria de vila. D. Manuel I outorgou-lhe foral a 15 de Dezembro de 1515.
A área administrativa do Machico ficou reduzida com a criação em 1515 da vila de Santa Cruz e em 1743 da vila de São Vicente. Em 1803 um enorme desabamento de terras destruiu as muralhas da ribeira, abateu a ponte, arrastou para o mar a Capela dos Milagres e soterrou diversas casas na parte mais baixa da vila.
Machico foi cenário do confronto que pôs termo à chamada Revolta da Madeira – a 26 de Abril de 1931 desembarcaram no Caniçal as tropas governamentais que a 2 de Maio seguinte enfrentaram os revoltosos, chefiados por exilados políticos, no pico do Castanho, pertencente a Machico, tendo-se estes rendidos após pequeno tiroteio.
Monumentos do Machico
A igreja paroquial do Machico foi construída em fins do século XV. Apesar das múltiplas alterações posteriores, conserva as características do gótico e do manuelino. As colunas de mármore branco do pórtico lateral vieram do continente e, segundo a tradição, foram oferecidas por D. Manuel I. De valia, é o retábulo da Capela do Santíssimo Sacramento e o quadro a óleo representando os Reis Magos.
O Machico possui além disso as Capelas do Senhor dos Milagres, de Nossa Senhora do Terço e de São Roque. A igreja matriz de Água de Pena é do século XVII. A cinco kms, no sítio da Piedade pertencente à freguesia do Caniçal, há restos fossilizados duma floresta.
Artesanato e gastronomia do Machico
No Machico e nos seus arredores há abundante produção dos bordados típicos da Madeira bem como de objectos de verga. À gastronomia local característica pertencem os bifes de atum, as espetadas, os filetes de espada, o milho frito, o bolo do caco e o pão da casa.
Miradouros e locais de visita no Machico
A ilha da Madeira é pródiga em miradouros. O Machico tem uma boa quota deles. Na vila o miradouro do pico do Facho, em Água de Pena o Miradouro Álvares de Nóbrega, no Caniçal o pico da Cancela, no Porto da Cruz o Miradouro da Portela a 620 metros de altitude.
No Caniçal a paisagem verdejante da ilha dá lugar a terrenos áridos e bravios como os da ponta de São Lourenço, mas onde não faltam também locais acolhedores como a baía da Abra. Porto da Cruz é uma povoação encravada entre o mar e a majestosa Penha de Águia que atinge 590 m de altitude e oferece ao visitante as suas ameaçadoras vertentes cortadas a pique.
Dignos de se ver são os efeitos erosivos produzidos pelo mar e pelo vento, por exemplo nos terrenos vizinhos ao cais do pequeno porto de pesca. A praia de areia negra do Machico apresenta uma espécie geológica que parece ser única no mundo.
A vila toda ela é uma deliciosa estância de veraneio. Nela existe uma nascente de água mineral, denominada São Roque, eficaz no tratamento de doenças de estômago. Água de Pena, nos arredores de Machico, dispõe de moderno complexo turístico. No Caniçal fica a Prainha, a única praia em toda a Madeira que possui areia clara. Estância de montanha é a de Santo António da Serra, situada numa área planáltica a setecentos metros de altitude. Foi aqui implantado o Parque do Governo Regional, com casa senhorial, alamedas rústicas e grande variedade de espécies botânicas.
Na área do Machico, o visitante que goste de mar e praia poderá encontrar as praias do Caniçal, de Machico, da Cruz e da Prainha do Caniçal.
O Machico possui também um parque de campismo.