Vila Praia de Âncora é praia cosmopolita

Situada na foz do rio Âncora, esta pequena e linda vila está abrigada num vale, protegida do vento pela Serra d’Arga a norte e pelo Monte de Santa Luzia a sul.

Antiga, como o provam os constantes achados pré-históricos e proto-históricos, Âncora deve o seu nome ao rio que, nascendo no sítio das Bezerreiras na Serra d’Arga, já nos limites da freguesia de S. Lourenço, os celtas e depois os romanos chamaram respectivamente de “Spaco” e os segundos à sua foz “Vicus Spacorum”, ou seja, terra ou herdade dos “Spacos”.

Este rio, cujas margens, açudes e engenhos são de extraordinária beleza, era muito mais caudaloso na antiguidade, sendo a sua foz próxima do Forte do Cão e navegável até cerca de dois quilómetros.
Sujeito a frequentes incursões de piratas marítimos, as comunidades viram-se obrigadas a refugiar-se nos vários ramos ou projecções, quer do Monte de Santa Luzia, quer da Serra d’Arga, conforme atestam os vestígios da cultura castreja encontrados no monte da Cividade, as ruínas do Convento de Bulhente e a Ermida de S. Pedro de Varais, etc., sendo de presumir que o mesmo tenha acontecido até finais do século XVII, altura em que D. Pedro II decidiu pôr-lhes cobro, mandando construir os Fortes do Cão e da Lagarteira (1690).

O nome primitivo de Âncora era o de Balthazares, comemorativo de uma célebre batalha entre lusitanos e romanos (os lusitanos chamavam a uma batalha “azar” e do mesmo modo como hoje, apelidamos a esta região “Vale do Âncora”, os lusitanos diriam “Vale de Azare” donde derivaria mais tarde “Baltazar”, sendo a capelinha de S. Brás, ainda existente, a Igreja Matriz primitiva.

Porém, e já em 563, esta povoação era chamada de Santa Maria de Vilar do Âncora, conforme se pode comprovar pela doação que o rei Suevo Theodomiro fez da quarta parte dos rendimentos da igreja ao Bispo de Tuy, doação essa que em 3 de Setembro da era e 1163 (1125 D.C.) a Rainha D. Teresa confirmou a seu filho D. Afonso Henriques.
No século XIV desmembraram-se da freguesia de Santa Maria de Vilar de Âncora as de Gontinhães (actual Vila Praia de Âncora) e riba de Âncora tornando-se independentes.

Região notável, cheia de raridades históricas, campo vasto para os arqueólogos, com monumentos imprescindíveis para o conhecimento do período megalítico – Dólmen da Barrosa e a Cividade, perde-se a sua história na noite dos tempos …

Povoação com mais de 5 000 habitantes, dotada de um clima de grande amenidade, encrostada em colinas sobranceiras de encantadoras paisagens ou correndo pelo vale – o casario saltitando como gaivotas brancas no azul do céu, Vila Praia de Âncora é alegre como um sorriso de mar, fresca e viçosa como uma colina verde.

Praia cosmopolita, centro piscatório de certo interesse comercial e industrial, rodeada de todas as infra-estruturas e requisitos da vida actual – a 9 Km da fronteira espanhola por Caminha, 30 de Valença, 80 do Porto, 60 de Braga e 13 de Viana do Castelo – é o centro confluente, quer de Verão, quer de Inverno, de todos os que, num simples fim de semana, um mero passeio automóvel ou no gozar das suas férias, gostam de apreciar as delícias do sol, do mar, e do rio, o colorido da paisagem ou saborear os pratos famosos da culinária minhota.

Actualmente, Vila Praia de Âncora, devido às suas praias e paisagens maravilhosas e aos seus vários monumentos, testemunhos da sua excepcional história, é uma cidade dedicada, essencialmente ao turismo.
O seu património cultural e natural, o artesanato, os desportos aquáticos, a pesca e as tradições gastronómicas contribuem para que estadia em Vila Praia de Âncora seja para si, um momento inesquecível.

Património Monumental

Forte de Vila Praia de Âncora ou Fortim da Lagarteira

A porta do forte é encimada por pedra de armas reais; o balcão coberto é suportado por grossas mísulas e furado com mata-cães, processos defensivos medievais, ainda em uso nos fins do século XVII. Em Vila Praia de Âncora realiza-se todos os anos a Festa dos Homens do Mar, cujo ponto alto é uma imponente procissão com típicos andores ornamentados por artesãos locais, o que testemunha a sua longa tradição piscatória.

Construção do século XVII, com quatro baluartes. Destinava-se à protecção do porto. Este forte constitui um dos típicos exemplos das fortalezas marítimas do país. D. Pedro II mandou edificar a fortaleza para defesa dos ataques da pirataria à praia piscatória de Âncora e ao seu fértil vale. Recentes trabalhos de restauro respeitaram os bons e sólidos elementos da antiga construção.

Monte do Calvário

Panorama surpreendente. Notável a extensa escadaria com Cruzeiros, a ermida antiquíssima e a gruta de Nossa Senhora de Lurdes.

Rio Âncora

De caprichoso recorte com as suas belíssimas quedas de água. É um rio truteiro.

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