Situada a nove quilómetros da sede do concelho – Oliveira do Hospital, Lourosa é um local de monumentalidade, orgulhando-se da sua herança. Mantém a nobreza e sobriedade que só possuem as grandes terras, onde não conta a dimensão do espaço, mas sim a dimensão do valor arquitectónico.

Antiga vila e sede de concelho, Lourosa recebeu o primeiro foral pelo Bispo de Coimbra. O concelho foi extinto na primeira metade do século XIX, passando a pertencer Lourosa ao de Avô. Extinto também este em 24 de Maio de 1855, altura em que a vila foi integrada no actual concelho de Oliveira do Hospital. Eclesiasticamente, a antiga freguesia de Lourosa era uma vigararia e comenda da Ordem de Cristo. Lourosa permaneceu, ignorada e tranquila, durante largos séculos.
Do primitivo povoamento, antiquíssimo, resta-nos a sua Igreja Matriz (monumento nacional), belíssimo templo de três naves do início do século X. Trata-se de um singular exemplar de arquitectura religiosa da reconquista cristã da Península. A igreja de Lourosa é a única de estilo moçárabe existente em Portugal.
Todos os estudiosos que se têm ocupado do seu estudo atribuem o ano de 912 à sua construção, data mencionada numa inscrição que nela se encontra, mais propriamente uma lápide, colocada actualmente sobre o arco da entrada, tem data de 950 que, a aceitar-se como referente à construção do templo, confere-lhe mais de mil anos de existência.

Damião Peres opina que “a igreja de Lourosa foi fundada por cristãos em território cristão”.
Orientada a poente, ostenta a fachada principal, sobre a porta, uma janelinha geminada com os seus arcos de ferradura – ajimez característico, único em Portugal. Um arco da mesma natureza, ainda visível, fechava o vão da porta principal, em parte entaipado, hoje, pela construção da porta actual, mais pequena.
Descendo alguns degraus, pois o nível do pavimento é sensivelmente mais baixo que o do terreno exterior, penetra-se no templo. O interior da igreja de Lourosa está dividido em três naves que apresentam uma particularidade notável quanto à sua extensão, pois a nave central é muito mais comprida que as naves laterais. Arcadas formadas de três arcos de ferradura separam, a cada lado, a nave central das naves laterais.
Junto da igreja, encontramos o pelourinho, também monumento nacional e a casa solarenga dos Tristãos.
Ao lado da igreja e dela separada fica o campanário de duas ventanas. O alto valor deste monumento só foi reconhecido moderadamente.
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