A extracção do Sal encontra-se enraizada na cultura dos habitantes de Castro Marim, outrora era uma das maiores fontes de rendimento para a região e para muitas famílias. A salicultura em Castro Marim descende de tempos remotos, vindo referida no primeiro foral da vila datado do século XIII. Os armazéns de sal distribuem-se pela área de salinas artesanais, numa faixa a oeste de Castro Marim até ao rio Guadiana.
De entre os vinte e cinco registados apenas quatro mantêm as suas funções, tendo os restantes sido utilizados para outros fins, ou abandonados, encontrando-se em estado de conservação precária ou mesmo em ruínas. Este abandono verificou-se progressivamente a partir dos anos sessenta, altura em que o sector saleiro nacional se viu forçado à renovação tecnológica, tendo então sido criada na área da Reserva Natural uma exploração semi-industrializada, com cerca de 300 hectares. As salinas ocupam ainda cerca de 30% da zona húmida da Reserva Natural, estendendo-se por uma área de 600 hectares.

A salicultura em Portugal teve uma grande revolução com a chegada dos Fenícios, que introduziram uma nova vertente para a utilização do Sal, a indústria de conservas de peixe baseada na salga em tanques; as marés, praticamente inexistentes no Mediterrâneo, permitiram aqui, no Algarve Ocidental, a instalação de grandes áreas de salinicultura.
Foram, contudo os romanos a introduzir o reticulado em esquadrias na região de Castro Marim, o¬nde também teria sido produzido o famoso garum.
Portugal sempre foi um país produtor e exportador de sal, tendo já sido em tempos uma das principais actividades económicas do nosso País. O sal era, na Idade Média, um produto que servia de troca com todo o Norte da Europa e até com o Norte de África.