
Sé da Guarda
Guarda é cidade da Beira Alta e sede de distrito. Dista do Porto 219 km e 356 km de Lisboa. A Guarda está situada num planalto bem elevado a 1075 m de altitude, no flanco nordeste da serra da Estrela, dominando as planálticas terras fronteiriças de Ribacoa e do Sabugal. A Guarda é constituída pelas freguesias de São Vicente e Sé , sendo o centro comercial e industrial de uma área que vive principalmente da agro-pecuária, produzindo batata, cereais, fruta, vinho e azeite, e criando gado ovino e caprino em ordem sobretudo ao fabrico do afamado queijo da Serra.
A Guarda possui indústrias de montagem de veículos automóveis, indústrias alimentares, têxteis, metalomecânicas, de pelaria e de transformação de madeiras. Está servida pela auto-estrada Aveiro a Vilar Formoso e pelas vias-férreas da Beira Alta e da Beira Baixa.
A Guarda da História
Num cerro a quatro km da cidade, a 1032 m de altitude, na freguesia de Rochoso, pode ver-se o castro de Tintinolho, o que comprova o remoto povoamento da região em tempos pré-históricos. Mas o certo é que o plaino da Guarda estava ermo no século XII, razão pela qual D. Sancho I, em 1199, para o repovoar concedeu as mais amplas prerrogativas aos que nele quisessem morar, e inclusive para ele trasladando logo em 1203 a sede episcopal da Egitânia (Idanha) já existente em meados do século VI. D. Afonso II em 1217 e D. Sancho II em 1229 confirmaram o foral que viria a ser considerado pelos eruditos uma carta paradigmática de alforria.
Em tempo de D. Sancho II concluiu-se o levantamento dos muros. Na crise de 1383-1385 o bispo da Guarda entregou as chaves da cidade a D. João I de Castela — o que fez com que a Guarda acrescentasse o qualificativo de «falsa» aos epítetos que já granjeara como farta, forte, fria e feia — mas o mesmo não fez o alcaide-mor Álvaro Gil que no castelo se manteve fiel ao Mestre de Avis.
Na Guarda realizaram-se cortes no reinado de D. Afonso V, em 1465 e a Guarda recebeu foral novo manuelino em 1510; em 1530 D. João III concedeu a seu irmão o infante D. Fernando (1507-1534), aquando do seu casamento, o título de duque da Guarda.
Monumentos da Guarda
O monumento que na Guarda mais se impõe à vista é a Sé, gótica, toda de granito, edificada desde fins do século XIV a meados do século XVI. De planta cruciforme e com três naves, mede 52 m de comprimento, 16,5 m de largura e 20 m de altura.
Contrastando com o exterior algo pesado, o interior da catedral encanta pela impressão de leveza provocada pela invulgar altura e pela harmonia das abóbadas artesoadas. De realçar o pórtico setentrional manuelino, a abóbada crucial com o seu belíssimo reticulado estelar e o retábulo da capela-mor, executado na oficina de João de Ruão, composto por mais de 100 figuras.
Do primitivo castelo da Guarda resta apenas uma torre, situada a sudoeste, assente sobre um pequeno morro granítico. Da muralha permanecem um reduzido trecho e a Torre dos Ferreiros, gótica, que defendia a dupla porta do mesmo nome.
Das igrejas merecem menção a da Misericórdia (século XVII) com fachada joanina e a de São Vicente (reconstruída em 1790) com fachada barroca e duas torres sineiras. O antigo Paço Episcopal é um vasto edifício do século XVII. Data de 1686 o belo solar da família Alarcão.
Na Rua Direita e na Rua de D. Sancho há antigas moradias dignas de atenção; o centro histórico da cidade conserva a antiga judiaria. Digno também de ver-se é o fontenário do século XVIII.
Nos arrabaldes da Guarda encontra-se em Póvoa de Mileu a Capela de Nossa Senhora de Mileu, românica (séculos XI-XII), com pórtico sem arquivolta mas com linda rosácea. Vila Fernando, 12 km a SE, conserva as ruínas do seu castelo do século XII.
Aldeia Viçosa, 17 km a NNO, possui uma igreja neoclássica (1768) que constitui um pequeno museu de escultura e de pintura.
O Museu Regional da Guarda, instalado no antigo Paço Episcopal, seiscentista, mostra o desenvolvimento histórico-geográfico da área do distrito, desde o Paleolítico, faz uma amostragem da sua vida económica, social e cultural, dedica uma secção aos escultores do distrito, exibe uma colecção de armaria e contém quadros de bons pintores recentes a partir de Columbano.
A Guarda possui Instituto Politécnico.
Artesanato
Fabricam-se na sua região utensílios de vime, objectos de barro e de madeira. A romaria à Senhora de Mileu realiza-se a 15 de Agosto. As feiras anuais na Guarda ocorrem a 24 de Junho (Feira de São João) e a 4 de Outubro (Feira de São Francisco).
Locais a visitar na Guarda
A Guarda constitui uma privilegiada estância climática situada entre 1030 e 1056 m de altitude, com um clima de características subalpinas. Durante mais de meio século funcionou nos seus arredores, no meio de extensa e frondosa mata, um sanatório inaugurado por D. Carlos e D. Amélia, a 18 de Maio de 1907.
Possui parque de campismo. Na área do distrito há diversas caldas e termas que se repartem pelos concelhos de Aguiar da Beira, Celorico da Beira, Manteigas e Sabugal. Fica na área do distrito da Guarda, no concelho do Sabugal, 30 km a SSE, a reserva natural da serra da Malcata (altitude de 1075 m) com 21 759 hectares.