Fundão é uma cidade do distrito de Castelo Branco e da diocese da Guarda, sendo sede de concelho e de comarca dista da Guarda sessenta quilómetros. O seu casario apinha-se na vertente setentrional da serra da Gardunha e defronte da Serra da Estrela, a 497 m de altitude.

As cerejas do Fundão
Domina a chamada Cova da Beira, atravessada pelo rio Zêzere e que constitui uma depressão situada entre as serras da Estrela e da Gardunha.
O Fundão é precisamente a capital económica da Cova da Beira, produzindo cereais, batata e fruta, principalmente a maçã e a cereja. A cidade tem indústrias têxtil, de mobiliário e de produtos alimentares. Dispõe de boas vias rodoviárias e é servida pelo caminho-de-ferro da Beira Baixa.
História do Fundão
Na área circundante do Fundão encontraram-se numerosos vestígios dum povoamento pré-histórico e da ocupação luso-romana. No reinado de D. Sancho II (1223-1248) era já uma povoação com certa prosperidade. Esta passou a acentuar-se quando nela se fixaram numerosas famílias judaicas após o édito de 31 de Março de 1492.
Está documentada a presença, no Fundão, durante os séculos XVI e XVII, de tecelões, tintureiros, pisoeiros, tratantes, mercadores, borracheiros, fundidores, imaginários, recebedores e vedores das sisas e dos panos, o que pressupõe grande actividade industrial. Em 1580 o Fundão tomou o partido de D. António, prior do Crato, auto-proclamando-se vila, com pelourinho, forca e cadeia, e nesta situação se manteve até ao despacho, emanado do Desembargo do Paço, de 26 de Outubro de 1669.
O concelho do Fundão veio a ficar constituído definitivamente a 9 de Junho de 1747. Finalmente o Fundão adquiriu a categoria de cidade por lei de 19 de Abril de 1988.
Património Monumental
A igreja matriz, de fachada barroca com duas torres baixas, é uma reconstrução, datada dos começos do século XVIII, duma igreja românica como o atestam os gigantes que flanqueiam interiormente a nave; fica a seu lado a Igreja da Misericórdia anexa ao hospital.
Numerosas as capelas, algumas delas com alpendre: a de Nossa Senhora da Luz (1560), a de Nossa Senhora da Conceição (1561), de Santo António (1574), de São Francisco (1574), do Espírito Santo (1578) e de São Sebastião (1777).
O pelourinho é de reconstituição recente. Os Paços do Concelho encontram-se instalados no edifício da Fábrica Real, pombalino, bastante ampliado e modificado em 1916. Há ainda um grande chafariz de 1626, vestígios de casas quinhentistas, nomeadamente na Rua do Mármore, e várias moradias brasonadas como o Solar (inacabado) dos Condes de Vila Real, a Casa dos Cunhas, a Casa de D. Luís de Brito Homem (bispo de Angola e do Maranhão) e a casa apalaçada da Praça Velha.
Nos arredores da cidade ficam as ruínas do Convento do Seixo, dos Frades Capuchos, edificado nos começos do século XVI num airoso contraforte da serra, e a Aldeia de Joanes, com a igreja românica e algumas moradias quinhentistas.
Em Donas, 3 km a Este, depara-se-nos a Casa do Paço, manuelina, de granito, e uma capela também manuelina anexa ao solar e à igreja paroquial.
A 4 km a sudoeste, num recôncavo da serra da Gardunha, fica a Capela da Senhora da Orada, de origem medieval, em terrenos da comenda da Ordem de Avis, com um retábulo de alabastro (século xrv), uma pia de água benta, manuelina, e a imagem da Senhora das Graças (século xvi) esculpida em pedra de Anca. Em Alcaide, 5 km a E, é digna de ver-se a igreja matriz, de três naves, com portal românico.
Alcongosta, cinco kms a sul, apresenta uma formosa igreja paroquial e uma calçada romana. Alpedrinha, 12 km a sudoeste, conserva o pelourinho, a antiga Casa da Câmara, o monumental Chafariz Real ou de D. João V, com seis bicas, a Fonte da Fome e a Fonte do Leão que deu o nome à famosa Capela do Leão.
Em Castelo Novo, 17 km a sul do Fundão, merecem atenção as ruínas do castelo, o pelourinho, o lugar da forca com duas caveiras gravadas numa pedra, a antiga Casa da Câmara e o Solar dos Gamboas.
Património cultural do Fundão
A cidade possui um Museu Municipal e conta entre os seus naturais com muitas figuras ilustres. São naturais do Fundão entre outros: o bispo franciscano D. Frei Diogo da Silva (1485-1541), 1.” inquisidor que houve em Portugal, o pintor régio José da Cunha Taborda (1766-1834), o estadista João Franco (1855-1929) e o jornalista Alfredo da Cunha (1863-1942).
No artesanato do Fundão destaca-se o fabrico de toalhas e colchas de linho, e de vassouras de ramos de giesta. Gastronomicamente não deixe de provar o calçudo da Beira, uma sobremesa com puré doce de castanhas.
Lugares aprazíveis no Fundão
O Fundão aconchega-se no contraforte arborizado de Monte de São Brás, pertencente à serra da Gardunha. de cuja lombada se tem uma excelente panorâmica da Cova da Beira. Nos arredores são vários os locais com vastos panoramas, a começar pelos belos miradouros do Convento do Seixo, a um km, e da Senhora da Orada, a quatro kms.
Continuando a subir a serra da Gardunha encontram-se: o alto do Carvalhinho, com vistas sobre a Cova da Beira, a serra da Estrela e terras meridionais para além de Monsanto e Castelo Branco; e a Penha da Senhora da Serra, donde se avista a vasta planura silenciosa.
O Fundão tem a sudoeste a serra da Gardunha paralela à serra do Açor, fica entre os rios Ponsul e Zêzere. Com 20 km de comprimento e 10 km de largura, tem o sentido geral NE-SO, sendo a sua altitude máxima de 1227 m. Do lado do Fundão apresenta um esplêndido manto de vegetação, a chamada Mata do Fundão, onde se situa o Parque Florestal da Gardunha.