Caldas da Rainha é uma cidade do distrito de Leiria edificada a setenta metros de altitude numa área muito aprazível e desafogada, tendo a marcar-lhe o horizonte elevações suaves densamente arborizadas.

Termas das Caldas da Rainha
À suavidade da paisagem e à amenidade do clima — as Caldas da Rainha estão a oito km do mar — veio juntar-se a riqueza das águas termais, o que fez da cidade um tradicional recanto de veraneio. Os arredores das Caldas produzem fruta muito apreciada. A indústria alimentar, de compotas de fruta e doçaria, tem por companhia o importante e tradicional fabrico de cerâmica, feito a nível artesanal e industrial. De ligações rodoviárias está a cidade das Caldas da Rainha bem servida. O mesmo se passa em relação ao caminho-de-ferro – a Linha do Oeste.
Caldas da Rainha histórica
O topónimo Caldas da Rainha prende-se com a origem da povoação. Caldas provém de cal(i)dae [em latim «quentes»] aquae [«águas»]. E a Rainha que detém tais caldas é D.ª Leonor, a mulher de D. João II.
Diz a história mais vulgarizada que vindo D. Leonor de Óbidos para a Batalha. no Verão de 1484, ao passar pelo sítio da Copa reparou que uns doentes se banhavam nuns charcos de água de cheiro intenso. Informada das curas obtidas pelo uso daquelas águas, também a Rainha as quis experimentar.
Perante o sucesso do que considerou ter sido o efeito dessas águas nela mesma, fez ali levantar um padrão comemorativo.
Em 1485 a D.ª Leonor deu início à construção do hospital, concluído em 1503, e para tal teve que se desfazer das suas jóias e terras que vendeu a seu irmão – D. Manuel I. A administração das caldas, inicialmente autónomas, no reinado de D. João III passou para os Cónegos de São João Evangelista (Lóios).
Em virtude da lei das amortizações, depois de 1866, os bens foram reduzidos a papéis de crédito e o Estado ficou a administrar o hospital.
A povoação surgiu em redor do edifício construído pela rainha D.ª Leonor. Não consta que seu irmão D. Manuel tivesse outorgado ao povoado foral próprio, mas concedeu-lhe vários privilégios. Aliás as Caldas da Rainha devem-se ter regido pelo foral de Óbidos, a cujo termo pertenciam. As duas vilas eram ambas da Casa da Rainha e usavam até brasão igual.
Curiosamente a indústria típica das Caldas, o seu fabrico de louça, é contemporânea da fundação do hospital, pois remonta a 1488. D. João V, que por treze vezes veio às Caldas a banhos, ali deixou a sua marca: deitou abaixo o velho edifício e fez erguer um novo, sumptuoso, a cargo de Manuel da Maia, onde abriu fontes, construiu tanques, levantou um aqueduto, ergueu a cadeia e edificou os novos Paços do Concelho com relógio sineiro e aplicou também um relógio na torre da Igreja do Pópulo.
Caldas da Rainha passou a ter a categoria de cidade por decreto de 11 Agosto de 1927.
Monumentos das Caldas da Rainha
Do Hospital de D.ª Leonor resta apenas a antiga capela, agora denominada Igreja de Nossa Senhora do Pópulo. A igreja data do fim do século XVIII e nela surgem os primeiros testemunhos da arte manuelina. No exterior chama atenção a torre com cúpula de pirâmide octogonal. O interior, com a abóbada artesoada contendo a emblemática da fundadora a arrematar os bocetes, contém de valioso o arco triunfal com o tríptico quinhentista, a porta da sacristia, a pia baptismal e os azulejos moçárabes.
Do edifício joanino do hospital, construído em 1747, ficou a fachada principal barroca encimada por um frontão com o escudo nacional. A Igreja de São Sebastião, de origem quinhentista, conserva uma sumptuosa decoração em cerâmica do século XVI; igual riqueza interior apresenta a Capela de São Jacinto, apesar da modéstia do seu aspecto externo.
O Chafariz das Cinco Bicas (1749) tem a marca do estilo de D. João V.
O Palácio Real, do século XVI, sofreu profundas alterações, a maior das quais no reinado de D. Maria II. Outras moradias de valor se podem ver pela cidade, nomeadamente do século XIX, como a Casa da Cultura (antigo Casino do Parque), os pavilhões do Parque D. Carlos feitos por Berquó e a Casa da Cortiça.
Na área do concelho das Caldas da Rainha há monumentos de elevado interesse: em Gaeiras, 6 km a sul, merecem ver-se a Casa de Gaeiras dotada de um interessante complexo arquitectónico, a Quinta das Janelas com residência rural que remonta ao século XVII, e as ruínas do Convento Capucho de São Miguel das Gaeiras.
Em Alvorninha, a 11 km, é a igreja matriz com pórtico manuelino e uma pia baptismal com as armas reais que merece uma visita, bem como uma preciosa Igreja da Misericórdia do século XVII, com galilé, adro e varanda, tendo no interior azulejos azuis e amarelos.
Em Santa Catarina, 16 km a nascente das Caldas, a igreja matriz, barroca, ostenta azulejos mudéjares, e tem próxima uma moradia solarenga setecentista com um grande portal ornamentado, janelas de varanda no 1.° andar e valiosa capela privativa.
Património cultural das Caldas
O Museu de José Malhoa, além de um precioso núcleo de cerâmica, guarda um notável conjunto de obras de pintura e escultura nacional dos últimos cem anos. Há ainda o Museu de Cerâmica no palacete do visconde de Santarém e que ostenta a obra de Rafael Bordalo Pinheiro, o Atelier-Museu António Duarte e o Museu da Fábrica de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, além do museu particular de Joaquim Alves (de equitação e toureio).
Entre os naturais das Caldas da Rainha contam-se o pintor José Malhoa (1855-1933) e o publicista Raul Proença (1884-1941).
No artesanato é famosa a louça das Caldas que na Exposição Universal de Paris, em 1889, obteve uma medalha de ouro e duas de bronze, devendo o seu apogeu artístico e comercial a Rafael Bordalo Pinheiro.
Ao visitar as caldas não deixe de provar a sua doçaria, sendo típicas as cavacas, lampreia de ovos, queijinhos-do-céu e trouxas.
Locais aprazíveis de visita
Alguns locais aprazíveis na cidade das Caldas da Rainha são o Parque de D. Carlos I, a mata do Hospital da Rainha D.ª Leonor e a mata situada próximo da Avenida do Visconde de Santarém.
São cinco as fontes que abastecem as termas das Caldas da Rainha e que merecem outras tantas visitas: Arco, Piscina Escura, Piscina dos Homens, Piscina das Mulheres e Pocinho da Copa.
Termas das Caldas da Rainha
As águas que nascem à temperatura de 34.5 ºC, são mesossalinas, sulfúreas cálcicas, sulfídricas, cloretadas sódicas e magnésicas, e radiactivas.
São recomendadas no tratamento de reumatismos, nevralgias, inflamações das vias respiratórias, dermatoses e doenças ginecológicas. A dois km da cidade, na estrada da Foz do Arelho, ficam as Águas Santas, frias, hipossalinas, clorocarbonatadas, sódicas e sulfúreas, ligeiramente férreas e arsenicais, especialmente eficazes no tratamento de dermatoses.
A praia por excelência das Caldas da Rainha é a Foz do Arelho, a dez quilómetros.