Lamego situa-se a 507 m de altitude na margem esquerda da ribeira de Balsemão, tendo sobranceira de S a O a serra das Meadas; para NE, através do vale do Balsemão e do Varosa a vista alonga-se até Vila Real e às serranias do Alvão e da Padrela. É constituída pelas freguesias de Almacave com 6404 h. E da Sé com 4051 h.

Santuário de Nossa Senhora dos Remédios
Lamego é o centro comercial duma região cujas encostas recobertas de plantações produzem fruta, cereais e vinho (têm fama os seus espumantes), possui indústrias de carnes (de nomeada os presuntos), móveis e madeiras. A cidade é um nó rodoviário fulcral para a ligação à Beira Interior e ao Além-Douro.
História
Lamego terá sido fundada pelos Celtas, pois já era povoação importante no Século IV a. C. Ocupada pelos Suevos, em 569 aparece como cabeça de diocese, sendo Sardinário o nome do 1. ° Bispo lamecense conhecido (572). No 1. ° Quartel do século VII o rei visigodo Sisebuto ali cunha moeda. Sob a ocupação árabe foi durante quatro séculos sede de um valido de fronteira, dependente de Badajoz. Até à sua reconquista definitiva por Fernando Magno a 29 de Novembro de 1057, a posse da cidade ora estava nas mãos dos cristãos ora dos Sarracenos, sabendo-se ter sido ela devastada por Almançor em 987 e 997.
Em 1071 verificou-se a restauração da diocese de Lamego. Sob a autoridade de D. Sesnando, de Coimbra, passou a haver «tenentes» ou alcaides em Lamego, um dos quais veio a ser Egas Moniz, que empreendeu grande obra de repovoamento por todo o Ribadouro. D. Sancho I, em 1191, concede carta de couto à Sé lamecense. Até ao reinado de D. Dinis a cidade prosperou, mas depois os seus réditos passaram em grande parte para os nobres e o declínio foi tal que em começos do Século XVI a cidade reduzia-se a uma aldeia de 1500 h.
Por ter favorecido o partido de D. António, prior do Crato, o couto da Sé viu os seus privilégios coarctados por Filipe I. Com a reforma liberal o concelho de Lamego foi acrescido com os extintos concelhos de Arneiros, Britiande. Magueija, Parada do Bispo, Sande e Valdigem, e, em 1896, absorveu além disso as freguesias de Ferreirim: Lalim, Lazarim e Meijinhos.
Monumentalidade de Lamego
De interesse histórico e artístico há na cidade: o castelo de Lamego assente no ponto mais alto do casario, a 543 m de altitude, com muralhas, torres e cisternas (Séculos XI-XII); a Sé, com raízes protomedievas, reconstruída nos Séculos X-XII, foi bastante modificada no século XVI e de novo refeita no Século XVIII; as Igrejas de Almacave (Séculos XI-XVII), de São Francisco (século XVI), das Chagas (século XVI) e do Desterro (século XVIII).
O antigo Paço Episcopal, que é um castiço palácio setecentista, reconstruído entre 1775 e 1786, alberga o Museu Municipal. Entre as moradias solarengas merecem menção a Casa das Brolhas (século XVIII). dos Aragões, a Casa do Paço, que conserva uma janela geminada manuelina, a Casa dos Pereiras Coutinhos (Século XVII), a Casa dos Padilhas, a Casa do Espírito Santo, a Casa dos Serpas e a Casa dos Silveiras.
Santuário de Nossa Senhora dos Remédios
A 605 m de altitude ergue-se o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios (séculos XVII-XVIII), em estilo rocaille, feito de granito, ao qual dá acesso uma escadaria monumental, embutido num monte frondoso.
A 3 km a N fica Balsemão com a sua Igreja de São Pedro, pré-românica, do século VIII, muito transfigurada no século XVIII. Brítiande, 5 km a S, guarda ainda a casa onde morou Egas Moniz. Ferreirim, 7 km a SE, apresenta uma torre senhorial do século XVIII e conserva do antigo convento fundado no século XIV a igreja modificada no século XVIII e que apresenta oito preciosas tábuas do século XVI, pintadas pelos famosos Mestres de Ferreirim. Há no concelho de Lamego pelourinhos em Arneiros (Vila Nova de Souto d’El-Rei), Lalim, Magueija e Parada do Bispo.
O Museu de Lamego, criado a 5 de Abril de 1917, é, entre os museus regionais portugueses, um dos mais importantes, constando do seu recheio obras de arte e de arqueologia.
Entre os lamecenses avulta o nome do jurista Fernando Martins de Carvalho (1872-1946).
Artesanato e Gastronomia de Lamego
Na área geográfica de Lamego ainda se fazem meiotes de lã de ovelha, tamancos de pau, coroças e polainas de junco. A romaria em honra de Nossa Senhora dos Remédios, a 8 de Setembro,é das mais populares em todo o País. Entre a gastronomia a não perder, regista-se o presunto e o vinho espumante.
Locais a visitar em Lamego
Dentro da cidade são locais de largas vistas panorâmicas: a torre mestra do castelo e o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. Nas cercanias: a capelinha gótica da serra de São Domingos da Queimada que, sobranceira a Valdigem, abarca um dos mais belos panoramas do Alto Douro, o Miradouro do Relógio do Sol, o Miradouro de São Brás, em Cambres, e o balcão panorâmico da Boa Vista na encosta de Penajóia.
Na cidade há ainda o frondoso Parque de Nossa Senhora dos Remédios com instalações hoteleiras anexas. Em Cambres, 5 km a N, brotam águas radioactivas, de reconhecida eficácia no tratamento de úlceras do aparelho digestivo, de dermatoses e de doenças ginecológicas.
Há ainda o parque de campismo na serra das Meadas. Fica na sua área concelhia a Barragem do Varosa, construída em 1956, com a altura de 76 m.