Ponte da Barca em Terras de Nobrega

Ponte da Barca, em pleno coração do Alto Minho deve o seu topónimo à barca que fazia a ligação entre as duas margens, e é a “ponte” construída em meados do séc. XV que lhe vai dar o nome de S. João de Ponte da Barca (1450).

Terra rica, fidalga, de feição arejada, as Terras da Nobrega viram poetas da paisagem, das fontes e da saudade limianas. Mas Ponte da Barca, também, vila morena, de granito talhada, cheia de construções apalaçadas com capelas e muros fronteiros, ameados e brasonados do séc. XVI e XVII, os Paços do Concelho, o pelourinho, o abrigo porticado, a Matriz dedicada a S. João Baptista e com risco de Vilalobos.

E ao lado de todo este espólio histórico/monumental, em plena harmonia de linhas e cérceas, uma vila nova a cheirar a progresso, uma Ponte da Barca atractiva e moderna.

Ponte da Barca turística, com as suas pesqueiras do Rio Lima (pesca da lampreia), seus coutos de caça, desportos náuticos, praia fluvial, um bom equipamento de restauração e de animação hoteleira, artesanato, folclore, uma gastronomia de requinte, e aquele vinho branco extra reserva da Adega Cooperativa, acompanhado sempre por um saber receber como ninguém, fazem de Ponte da Barca uma terra de eleição.

Em pleno coração do Alto Minho, na bifurcação das EN 101 e 203, a uma distância de 39 Km de Viana do Castelo (capital de distrito), a 33 de Braga e a 29 da fronteira da Madalena Lindoso, que liga esta vila às vizinhas terras de Espanha, fica a vila de Ponte da Barca, terra de pitorescas lendas e nobres tradições, uma das mais características desta paradisíaca margem esquerda do Rio Lima (o Lethes dos Romanos – o rio do esquecimento), integrando-se no atraente circuito turístico vulgarmente conhecido por Ribeira Lima.

História

Ponte da Barca, já no tempo da fundação da nacionalidade era terra de importância material e de categoria política.
A comprovar o que se afirma, está o facto de ter sido sede da corte portuguesa durante cerca de um mês, no ano de 1386.
Durante o mês de Outubro desse ano, o rei D. João I, estacionou em Ponte da Barca, com numerosa comitiva militar e vários funcionários de chancelaria, entre os quais, Gonçalo Peres, seu vassalo e vedor da sua fazenda e os notários régios, Álvaro Peres, o Gonçalo Caldeira, Lançarote e Vasco Vicente. Esta estadia do rei em Ponte da Barca, deveu-se ao facto, do mesmo ir encontrar-se com o Duque de Lencastre, pretendente ao trono de Castela, para fazerem um tratado entre ambos. D. João I partiu desta vila a 30 de Outubro de 1383 e dirigiu-se para a Ponte do Mouro, onde teve lugar de 1 a 10 de Novembro, o encontro com o Duque de Lencastre.
Por esta altura deu-se um acontecimento histórico, talvez o maior, até hoje e verificado nesta vila.
Na comitiva do rei encontrava-se D. João, Bispo de Dax, na França e núncio do Papa de Roma Urbano VI, personagem notável da época.

Este núncio apostólico passou em Ponte da Barca a 14 de Outubro de 1386, um documento em favor de Frei Fernando de Astorga, confessor do rei de Portugal, e do franciscano Frei Afonso de Montemor, autorizando-os a absolver todos os que, de qualquer modo, ajudassem o Duque de Lencastre a combater D. João Henriques, usurpador dos reinos de Castela e de Leão, cismático e fundador de cisma.
Todos os que combatessem gozavam dos privilégios concedidos aos cruzados da Terra Santa.
O original deste importante documento, ainda se conserva entre os documentos da Ordem de Avis que estão na Torre do Tombo, tendo do mesmo a Câmara Municipal de Ponte da Barca uma fotocópia e respectiva transcrição.
A Terra da Nóbrega, hoje concelho de Ponte da Barca era uma das muitas circunscrições territoriais em que o país estava dividido para fins administrativos, judiciais e militares, delimitadas quase sempre por acidentes geográficos.
O nome veio-lhe do altaneiro castro que lhe servia de reduto defensivo e que ficava no maciço rochoso de cota 775, sobranceiro ao lugar de Ventuzelo na freguesia de Sampriz, actualmente chamado Castelo de S. Miguel-o-Anjo.
Este castro tem a primeira referência fidedigna no inventário dos bens do Mosteiro de Guimarães do ano de 1059, “Et ad radice castro Annofrice”.
Ourigo Ourigues, “o velho” avô de D. João de Aboim, levantou ou reconstruiu ali, no século seguinte, um castelo.
Apesar de ter sido construído num enorme e quase inacessíve1 penhasco, não devem restar dúvidas quanto à sua edificação nesse local, pois a ele existem referências no numeramento da população de I527,
feito em Ponte da Barca e que diz que o Castelo da Nóbrega ficava situado “huma fragna ermo e quase no meio do concelho”.
Também o Dr. João de Barros na sua geografia de Entre-Douro-e Minho, escrita em 1545, diz: “O castelo da Nóbrega que é muito antigo e forte e posto em lugar muito alto”.
Já em ruínas, o castelo ainda foi ocupado a 3 de Agosto de 1662 pelo General Espanhol Pantoja para dali mandar as suas tropas atacar Ponte da Barca e Braga e tomar o Castelo de Lindoso.

Património Monumental

Igreja Matriz (séc. XVII), primitivamente de duas torres, uma delas, destruída por um raio, cheia de velhas coroas brasonadas (Monumento Nacional).
Pelourinho, manuelino, do séc. XVI (Monumento Nacional).
Igreja Românica de Bravães (séc. XII), cuja construção se atribui a D.Vasco Nunes (contemporâneo de D. Afonso VI de Leão e Castela) que, nos finais do século XI, teria aí fundado um mosteiro beneditino (Monumento Nacional).
Mosteiro de S.Martinho de Castro (Monumento Nacional).
Ponte sobre o rio Lima, século XVI, (Monumento Nacional).
Castelo do Lindoso, século XIII. (Monumento Nacional).
Solares:  Solar da Agrela, Solar de Quintela, Paço Vedro, Solar dos Calvos, Solar de Sto.António do Buraquinho e Casa da Prova.

Artesanato

A arte de bordar, nesta região, é sinónimo da imaginação e da pureza criativa das mulheres que vivem no mundo rural, bebendo da Natureza a inspiração para a arte de bordar, espelho de sentimentos fortemente enraizados no interior de cada bordadeira, com ênfase para um só: o Amor.
A força do Amor torna possível que as mãos, ainda que cansadas do peso da sachola, do arado e da charrua, executem estas pequenas maravilhas. E é este Amor que se representa em cada traje regional, em cada peça de vestuário, em panos, em toalhas, em lenços, nos mais variados pontos, cores, tons, motivos ou formas.
Os bordados e bainhas abertas, feitos em peças de linho caseiro, aplicados em panos, toalhas, naperons, com pontos e motivos diversos, com um cunho pessoal, valorizados pelas “bainhas abertas”.

Festividades

São Bartolomeu – Festas do Concelho – 23 a 26 Agosto
Domingos Gastronómicos – Caldeirada de Cabra – 13 de Abril
Feira Mostra de Produtos Locais – 19 a 22 Abril
Desfolhadas Minhotas – 16 Setembro e 7 de Outubro
Feira de Artes e Ofícios Tradicionais – 7 a 10 Junho

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