Ponte de Lima e as feiras novas

Antiga vila amuralhada, Ponte de Lima é uma interessante localidade de visita obrigatória no Alto Minho. Ao lado a ponte medieval, soberba de formas com os seus quinze arcos ogivais. Depois, as Torres de S. Paulo e as Torres da Cadeia, conservando-se ainda entre elas, um pano das antigas muralhas da vila. Terra morena, vestida de rude granito da Serra d’Arga, Ponte de Lima é uma terra cheia de história, de arte e beleza natural, de rusticidade e património.

Falar de Ponte de Lima, é relembrar esta terra “velhinha” de séculos que teve os seus primórdios numa “velha” ria romana feita no tempo de Augusto e de uma ponte que até deu o nome à terra.Ponte de Lima fica situada em plena planície, no centro da Ribeira Lima, a 25 m de altitude, e é considerada a mais genuína minhota de todas as povoações portuguesas.

Em pleno coração do Alto Minho, na bifurcação das EN 101 e 203, a uma distância de 39 Km de Viana do Castelo (capital de distrito), a 33 de Braga e a 29 da fronteira da Madalena Lindoso, que liga esta vila às vizinhas terras de Espanha, fica a vila de Ponte da Barca, terra de pitorescas lendas e nobres tradições, uma das mais características desta paradisíaca margem esquerda do Rio Lima (o Lethes dos Romanos – o rio do esquecimento), integrando-se no atraente circuito turístico vulgarmente conhecido por Ribeira Lima.

A Ponte Romana, passagem única do Lima, está na origem da Vila da Ponte de Afonso VII. É por este espaço que se vai melhorando a via romana e que a frequente passagem de Peregrinos abandona para seguir o caminho mais recto, posto que difícil, mas muito marcado, pelo uso de séculos. A jurisdição episcopal de Entre Lima e Minho só em 1381 se liberta de Tui. É em Labruja que o Bispo D. Hermógio funda o mosteiro de S. Cristóvão que Ordonho II cede à Sé de Lugo. Aqui se refugiou o Bispo Nausto de Tui (922-935) por causa dos ataques dos sarracenos e Normandos. Em 1125, D. Teresa doou o mosteiro e seu couto novamente a Tui.

Também em 1125, alicia os habitantes por meio de foral que protege a “feira” e o seu comércio. Entretanto, o rio vai-se assoreando, espraia-se para sul, e D. Pedro I alonga a ponte romana, que vai ficando em seco. A vila é muralhada, estrutura-se como burgo e D. João I toma-a em 1385. Em 1464 passa a ter cidadela com Paço de Alcaide; a ponte é pavimentada e ameada em 1504. Em 1530 funda-se a Misericórdia com o seu Hospital na “Praça da Vila”, para apoiar peregrinos e às Portas do Souto levanta-se artístico chafariz, junto ao Hospital de Peregrinos. Em 1787 inicia-se o rompimento das Muralhas que abrem novas entradas para novos arrabaldes. Pelos arredores, vão surgindo novos solares e opulentas igrejas sob a influência da arte do barroco.

Património monumental

Capela de Nossa Senhora da Luz, deve datar dos fins do séc. XVI, mas segundo a tradição diz-se que foi mandada construir por D. Afonso Henriques pela graça de luz na Batalha de S. Mamede. A fachada abre-se num gracioso alpendre onde está colocado um púlpito de pedra, mandado executar em 1677 por testamento de João da Silva de Freitas. Em 1770 foi mandada demolir devido ao seu estado de ruína, mas, a pedido dos paroquianos, a ordem foi revogada e o templo permaneceu até aos nossos dias. São 8 os cruzeiros em pedra que ainda hoje fazem parte do Monte da Sra. da Luz. Para o local tornar-se mais aprazível foi em 1998 revitalizado todo o Monte para melhor acolher todos os forasteiros que visitam esta freguesia especialmente no fim de semana depois da Páscoa, nas festas em honra de Nª Sª da Luz que são o cartaz de visita de Creixomil.

A Igreja Matriz, passou por enormes modificações, antes de existir tal coma está hoje. Pouco mais ou menos no lugar onde hoje se levanta, começou por existir uma famosa ermida. Nessa época, houve uma grande festa na então Vila de Guimarães. Fizeram-se, então, três procissões, sendo a 1ª, da Real Colegiada da Oliveira até à ermida de Creixomil. Essa ermida deu lugar a uma igreja pobre e pequena; tão pobre ela era que não tinha sequer sacrário. Algum tempo depois, iniciou-se a construção de uma igreja moderna, com a porta principal voltada para o Norte e a torre, do lado Poente, completamente separada da igreja. Em 1885 fizeram-se novamente obras; comprou-se a torre da antiga igreja de S. Sebastião e a igreja ficou com o aspecto que tem hoje. Mais tarde, o peso da massa de granito fez com que se partisse a padieira onde se encontrava a torre. Esta inclinou-se e arrastou todo o edifício. A pouco e pouco, foi reconstruída, encontrando-se, hoje, com os mesmos traços dessa construção, embora tenha beneficiado de reparações ao longo dos anos. Datada de 1854, conserva no interior, de interesse artístico, apenas o altar das Almas, de talha, e uma escultura representando Nossa Senhora do Leite. Junto do edifício, no chamado adro, existiu um cemitério, do qual hoje ainda existem vestígios. O Salão Paroquial que faz hoje parte da mesma, foi inaugurado apenas em 1964 e chegou mesmo a servir de escola primária com duas salas de aula. Nas suas dependências situa-se a sede do Agrupamento 566 do Corpo Nacional de Escutas.
A Igreja do Mosteiro de Refoios situada na freguesia de Refoios, o templo de fundação antiquíssima sofreu como resultado da contra reforma remodelação e ampliações; as mais significativas que alteraram o aspecto da sua fachada, foram as que se executaram no século XVIII, ainda que o retábulo e a capela mor sejam obra dos meados do século XVII.

Capela do Anjo da Guarda é um padrão quadrangular de cantaria, abobadado, aberto por três arcos, ostentando embutida na parede do fundo uma antiquíssima figura humana, de granito, que dizem representativa do Anjo da Guarda. Localização: Junto à Ponte Romana. Monumento Nacional.

A Capela de N. Senhora da Guia teve a sua origem numa pequena ermida frente do rio Lima, transferindo-se no século XVII para um lugar mais seguro, protegida das cheias do rio, onde existiam as ruínas do antigo hospital da gafaria. Em 1746, o templo foi melhorado e acrescentado. Possui azulejos de variados tipos e épocas. Localização: Ao fim da Avenida dos Plátanos.

Capela de N. Senhora da Lapa capela da invocação de N. Senhora da Lapa foi mandada erigir em 1763, em terreno cedido pelo primeiro marquês de Ponte de Lima. A obra do templo não foi concluída de acordo com o projecto original, resumindo-se à capela mor.

A Capela de N. Senhora da Penha de França foi mandada construir em 1613, por um homem do povo – João Lourenço – à altura da ventana da enxovia para que os presos seguissem a celebração da missa. Tem um belo retábulo barroco.

A Capela de N. Senhora das Pereiras situada no bairro das Pereiras que correspondia no século XVI a uma parte significativa da vila. Foi erguida em 1525 junto à torre das Pereiras, em 1757 foi reedificada e reformada em 1818, estando actualmente fechada ao culto e completamente esventrada do seu riquíssimo revestimento de talha.

Gastronomia

Os vinhos de Ponte da Barca são um produto de qualidade com uma imagem de marca há muito reconhecida pelo mercado nacional e internacional. A viticultura representa, de resto, uma das principais fontes de rendimento de uma população que, em percentagem significativa, ainda vive da agricultura de sobrevivência.
O importante dinamismo registado neste sector deve-se à acção desenvolvida pela Adega Cooperativa de Ponte da Barca que tem sabido lançar uma interessante campanha de marketing junto de potenciais mercados consumidores e adaptar-se às novas realidades e exigências mediante o lançamento de novos produtos.

Também a gastronomia oferece pratos de elevada qualidade, confeccionados com produtos genuínos locais.
Para além do mel e do queijo (quem não conhece o queijo Liminano) produzidos nos ambientes serranos do Parque, quem não aprecia o cabrito da Ermida ou Germil, ou as carnes das raças autóctones (cachena e barrosã) criadas em pleno espaço natural? Ou ainda um prato de lampreia ou de truta pescadas nos rios Lima e Vade ou nos diversos ribeiros existentes na área do Concelho?

Artesanato

No que respeita ao artesanato, esta região encontra-se não muito diversificada em relação às vilas vizinhas. Sendo assim podemos encontrar o mesmo tipo de artesanato nas 4 regiões, sendo pouca a sua diversidade.
Em Ponte de Lima mencionamos a cestaria, a cantaria, os ferreiros, a luminária, a marcenaria, a pirotecnia, a tanoagem e a tecelagem.

Festividades

Para o Homem desta região, a Festa é obrigatória, na medida em que faz parte da sua identidade cultural e se encontra fortemente enraizado no seu imaginário.

Feiras Novas

Criadas pelo Rei D. Pedro IV por provisão de 5 de Maio de 1826, começaram por serem chamadas de Festas de Nossa Senhora das Dores. Feiras Novas, para estabelecerem a diferença com as Feiras Velhas, mais antigas, que se realizavam a cada quinze dias.

As Feiras Novas passaram então a realizar-se no terceiro fim de semana de Setembro (de Sábado a Segunda), por acordo entre a Câmara e o Grémio Comercial locais,datado de há mais de cinquenta anos. Não mudou de local até aos dias de hoje – no areal.

Presença imprescindível no Ritual da Festa é o folclore e a música popular.
São vários os Ranchos Folclóricos existentes no concelho. No País e no estrangeiro, divulgam a riqueza dos trajes e a música popular da Ribeira Lima interior.
Famosos são também os cantadores ao desafio, intrinsecamente associados a este concelho.

Há ainda a mencionar, manifestações que merecem uma referência especial, como sejam os festejos relacionados com o cultivo do linho (Bravães) e com as desfolhadas (Lavradas), por serem veículos privilegiados de preservação da cultura tradicional das comunidades.

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