Caminha e a Foz do rio Minho

Situada no Alto Minho, no extremo Norte de Portugal, a 25 quilómetros da cidade de Viana do Castelo (capital do distrito), a freguesia de Caminha-Matriz é a única freguesia da vila de Caminha.

Caminha

Caminha

A pequena área de Caminha é porém desfrutada ponto a ponto, face às potencialidades de que dispõe. É que, este espaço, todo ele em área sensivelmente plana, isto é, a nível ribeirinho, compreende valores inquestionáveis.

Envolvida por barreiras naturais a estabelecerem os seus limites, estão; no sentido norte/poente o rio Minho, no sentido norte/nascente o rio Coura que, ali em Caminha desagua no rio Minho. Ambos os rios a servirem a freguesia com espectaculares cenários.

Ainda, pelos outros pontos cardiais, a sul e nascente, os limites, são exclusivamente partilhados com a freguesia de Vilarelho. Partilha de valores que encerram aspectos patrimoniais e turísticos relacionados com a zona amuralhada, com a linha dos caminhos de ferro e também a zona ribeirinha na proximidade da foz do rio Minho.

Caminha é sede de um concelho com 136 Km2 e engloba uma população de 16.085 habitantes, distribuídos por 20 freguesias.

Antiga e rica em património histórico e arquitectónico, é uma atraente vila do Alto Minho a norte de Viana do Castelo, e que faz fronteira com Espanha, estando a ela “ligada” pelo ferry-boat Santa Rita de Cássia, que atravessa o rio Minho. O concelho é limitado a norte pelo rio Minho, a nascente pelos concelhos de Vila Nova de Cerveira e Ponte de Lima e a poente pelo Atlântico.

Póvoa marítima, medieval e fronteiriça, a vila que dá nome e é sede do concelho de Caminha remonta à época da Independência, e desenvolveu-se como porto de navegação de cabotagem até que os Descobrimentos originaram a decadência deste seu papel. O concelho entrou então num modo de vida modesto, que só foi alterado no século XX, com a integração na rede viária do país e o desenvolvimento do turismo.

Povoação antiquíssima, nos seus arredores existem ainda alguns vestígios das civilizações proto e pré-históricas. Se bem que a bacia do Minho apresente alguns exemplares do período megalítico, a cultura dominante e que mais vestígios deixou nesta zona foi, sem dúvida, a castreja. As casas, quase todas do tipo redondo, denunciam marcas da cultura pré-céltica.

As freguesias, nomeadamente as que se situam nas encostas dos montes, patenteiam ainda um vasto património de antas e antelas. Do período da romanização ficaram pontes, caminhos e outros monumentos. Na Idade Média, e na luta contra a pirataria moura, germinou em Caminha um núcleo de construção naval e navegação de cabotagem, abrindo as portas de um modo de vida dependente do mar. Do porto de Caminha partiram barcos para diversas partes da Europa. Em 1284, D.Dinis concede-lhe foral, e, em 1392, D. João I fê-la porto franco. No reinado de D. Afonso V, a vila beneficiou de prerrogativas que lhe vieram dar um decisivo impulso para o desenvolvimento comercial. É ainda este rei quem, para a repovoar, a torna “couto de homiziados”, para aqui enviando reclusos e criminosos. Esta medida é reforçada por D.Manuel I e, mais tarde por D.João III.

Em 1512, D. Manuel confirma o foral velho, e procede à reconstrução do Forte da Ínsua. Durante a guerra da Restauração (1640), a vila tornou-se numa pequena praça de guerra. E na fase final das guerras entre liberais e absolutistas, Caminha, como boa parte das praças fortes do Norte, esteve em poder dos miguelistas.

Monumentos

Do seu exclusivo património edificado, entre outros, é de referir, a zona histórica com a Torre do Relógio (antiga porta de Viana), e demais área amuralhada. Igrejas Matriz, da Misericórdia, de Sto. António e de Sta. Clara. Capelas da Sra. da Agonia e de S. João do Nicho, de Sto. António dos Esquecidos. Chafariz do Terreiro, Casa das Pitas, e Casa das Leiras, casas dos Duques de Viseu e dos Duques de Caminha, os Paços do Concelho.

Zona histórica com Torre do Relógio

Monumento medieval da antiga cerca defensiva da vila (as antigas Portas de Viana), não sabemos mais o que admirar: se a beleza das ruas estreitas em lajedo, se a singularidade das moradias a revelarem fachadas artísticas, varandas, com elementos arquitecturais interessantíssimos.

Torre ameada da antiga cerca medieval. É atravessada por uma das entradas para o primitivo burgo, por um arco de volta quebrada.

Conjunto Fortificado de Caminha

O conjunto é constituído por cortinas de muralhas e baluartes do século XVII, destacando-se: baluarte da matriz; baluarte de Santo António; muralha da Graça; e Torre do Relógio. A torre, de planta quadrangular, conserva um pequeno eirado no qual assenta o suporte do sino, e nela se rasga a porta que outrora defendia a vila; sobre o arco está gravada a data de 1673 e figura uma pequena imagem de N. Sra. da Conceição. Caminha situa-se na entrada do rio Minho e tem ruas com características medievais.

Igreja Matriz

Renascentista plateresca com abside ogival de silhagem semelhante à da Sé de Braga. Tem três naves e uma única torre (belo exemplar da arte românica tardia, semelhante a muitas que se vêem pela Estremadura e Castela-à-Velha), obra do mestre bis- cainho e castelhano Tomé de Tolosa (1488), continuada por Pero Galego.

São notáveis: a porta principal, com arquivolta de meio ponto, enquadrada num alfiz, com desenhos platerescos; o portal do lado sul (por onde aliás se fazia a serventia do pessoal da vila), enquadrado por pilastras, sobrepostas por uma banda, entre molduras, com quatro edículas nas quais se vêem a imagem de S. Marcos e S. Lucas, ladeados por S. Pedro e S. Paulo. No interior, para além dos azulejos dos séculos XVII e XVIII, salienta-se o magnífico tecto de mudéjar de “par e nó” de madeira de bordo, obra do entalhador Francisco Munoz, de Tuy. Entretanto, e já no exterior, não poderemos deixar de admirar a platibanda onde o canteiro não quis deixar de, voltadas para a Galiza, apresentar duas curiosas gárgulas (goteiras).

Chafariz do Terreiro

Construído no ano de 1517 é obra do exímio canteiro João Lopes Filho

Casa das Pitas

Dos meados do séc. XVII (estilo manuelino tardio), velho solar com ameias e merlões chanfrados que coroam a fachada lateral, com portas e janelas de secção quadrangular.

Forte de Ínsua

No Séc. XII, na Ínsua de Caminha havia uma intensa actividade fluvial, marítima e comercial que se impunha defender da pirataria. D. Afonso III, ordenou a construção de uma muralha/forte que cercasse esta póvoa marítima, que foi reforçada ao longo dos séculos.

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