Valença do Minho

Sobre uma pequena elevação bordejada pelo Rio Minho, que a separa da Galiza, ergue-se a vila amuralhada de Valença. Praça forte, as suas muralhas, por mais de uma vez destruídas pelas invasões ora dos bárbaros, ora dos árabes, como dos asturoleoneses e até pelas invasões francesas dos princípios do séc. XIX, mas sucessivamente reconstruídas, são o ex-libris, únicas no país, neste género. Merecem para o forasteiro, para o turista observador e interessado, uma visita demorada, seja pelo seu traçado único, seja pela sua extensão, ou pela sua conservação e beleza.

Valença do Minho

Valença

Monumentos

Zona turística por excelência, Valença é a porta de entrada de milhares de turistas cada ano. A atracção pelo seu centro histórico é notória: as sua ruas, estreitas e sinuosas, tipicamente medievais, acolhem o desfraldar de louças e atoalhados, qual lençol bordado de insólita beleza.

Entramos na fortaleza pelas portas do revelim da Coroada, encimadas pelo brasão da família Ataíde. Na Coroada, é obrigatório visitar a Capela do Bom Jesus, em frente da qual se eleva a estátua do Valenciano mais ilustre: S. Teotónio, o primeiro Santo Português.

Atravessando as portas do meio, chega-se à Praça da República e à Rua Direita, que conduz à Igreja Românica de Santa Maria dos Anjos. Próxima desta, também se encontra a Igreja de Santo Estevão, ostentando na capela-mor seis pinturas sobre tábuas alusivas à vida do Santo e uma raríssima cadeira episcopal, em carvalho, do séc. XV, estilo gótico-mudéjar.

Já na zona exterior à muralha e sobranceiro ao Rio Minho, ergue-se o santuário de Nª Srª do Faro, de onde se pode admirar uma paisagem deslumbrante sobre o vale do Minho e a vizinha Tui.

Em Ganfei, merece destaque o majestoso convento beneditino mandado construir por S. Frutuoso ou S. Martinho de Dume decorria o séc. VI e arrasado por Almansôr no ano de 997.

Já em Verdoejo, por entre um espesso bosque de pinheiros e carvalhos, vislumbram-se os restos de uma necrópole – é o Adro Velho; o seu magnífico pelourinho, junto à capela do Sr. dos Passos, constitui o elo de ligação ao extinto Couto de Sanfins.

Marco da resistência às invasões do General Soult, Friestas ostenta um lindo portal na Quinta do Crasto, que pertenceu à família Pimenta de Castro.

Boivão é História, é lenda: é o típico casario em pedra e os seus espigueiros em granito; é a Princesa de Boivão, salva dos Sarracenos por um príncipe apaixonado.

Numa paisagem onde o verde do arvoredo contrasta com o cinzento dos afloramentos graníticos, ergue-se o lindíssimo convento beneditino de Sanfins, datado do ano 566.

Descendo a Taião, eis o regresso à tipicidade minhota: o casario em pedra, os pastores com os rebanho, o gado sulcando as estreitas ruas, os relógios de sol… E como são lindos os moinhos de água, encosta acima, alguns ainda exercendo funções comunitárias. A caminho de Cerdal podemos visitar o convento de Nª Srª de Mosteiró, do séc. XIV ou o lindíssimo relógio de sol talhado em granito.

Vila essencialmente comercial e turística, a sua gastronomia fará as delícias de quantos a visitarem: a lampreia à minhota, a truta salmonada ou o bacalhau à S. Teotónio serão suficiente atractivo para os bons apreciadores de peixe; o cabrito à Sanfins ou o carneiro à Gondomil, acompanhados de um vinho do convento de Ganfei, serão a justificação para uma segunda visita a Valença.

Fortificações da Praça de Valença do Minho

A fortificação conserva quatro portas – Santiago ou do Sol, de Gaviana (arco gótico), da Fonte da Vila e da Coroada – e doze baluartes, construídos em diferentes épocas, mas onde é possível encontrar vestígios da época de D. Dinis. Nos terraços subsistem velhas peças de artilharia. Domina a ponte fronteiriça Valença-Tui, construída por Eiffel em 1885. Valença foi fundada nos fins do século XII por D. Sancho I, que lhe atribuiu o nome de “Contrasta” devido à sua localização em frente de Tui.

Valença foi fundada nos fins do século XII por D. Sancho I. D. Manuel outorgou-lhe foral novo em 1512. Fortificação abaluartada, constituída por dois polígonos irregulares, foi edificada no século XVII, foi uma das mais importantes praças fortes do país, tal como Almeida e Elvas. Todas as portas são armoriadas com a heráldica dos Governadores militares do Reino.

Actualmente constitui a Pousada de S. Teotónio, instalada em 1962, no interior da fortaleza, cuja arquitectura se assemelha a um forte francês, estilo Vauban.

Pelourinho de Valença

Localizada na zona intramuros, junto à igreja de Santo Estevão, é um aproveitamento de um marco miliário, do imperador Cláudio, pertencente à via romana Braga-Tui.

Igreja de Sanfins

Templo românico, de uma nave, pertencente ao antigo convento beneditino. Apresenta uma cabeceira redonda e cachorrada esculpida com motivos fitomórficos e zoomórficos. De realçar a decoração dos capitéis, das portas e frestas.

Igreja do Salvador de Ganfei

Foi profundamente remodelada no séc. XVIII, com a substituição do primitivo portal românico e da ábside. É um templo de três naves, no qual se realçam as colunas, os arcos e capitéis românicos, decorados com elementos zoomórficos e fitomórficos.

Ponte Velha

Ponte romana, de um só arco, com tabuleiro em cavalete. O pavimento mantém as características originais, apesar da recente intervenção de que foi alvo. Fazia parte da estrada que ligava Braga à Galiza.

Convento e Igreja de Ganfei

A igreja, que mantém elementos românicos, foi reformulada no séc. XVIII. Para além do amplo claustro, subsistem elementos pertencentes a fontes, chafarizes e repuxos do antigo convento beneditino. A classificação refere-se ao claustro e aos elementos arquitectónicos existentes na cerca do convento.

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