A qualquer hora Viana do Castelo é boa de visitar, desde manhã cedo com os vianenses cruzando a Praça do Município, antes dita da Rainha, para saberem se o mundo mudou desde o dia anterior. Centro recreativo da cidade, a praça vive até altas horas as noites encaloradas, os cafés estendendo-se por esplanadas que o borrifo das fontes torna mais sedutoras no Verão.

Basílica de Santa Luzia em Viana
E quando as bicas e os finos se vão, há ainda quem fique, esperando talvez no nevoeiro que certas noites sobe do rio Lima, encontrar o príncipe ou princesa dos seus sonhos.
A noite é mágica em Viana do Castelo. A não perder, para apreciar a História ou viver as romarias que Verão afora enchem o Minho. São contos de luz e emigração, fé e “franceses de obrigação”, num rodopio que começa em muitas alvoradas, foguetório estralejando no dormir de muita gente, noites de vinho verde e minhoto, por isso bom, anunciando ressaca feliz no próximo vir do Sol.
Repositório artístico cobrindo do Manuelino à Art Deco, Viana do Castelo desdobra em cada esquina um novo edifício a descobrir, catálogo que pode desatinar o mais arrumado apreciador destas coisas. E janelas, senhores, que profusão de estilos e soluções.
A subida a Santa Luzia ao fim da tarde é uma aventura a que o funicular sempre convida. E lá do alto do promontório, enquanto a luz desce no mar, tudo banhando de um rosa mágico, descobre-se por onde a vista alcança, porque D. Afonso III no século XIII, ao referir-se a Viana (então e até 1848, de Foz do Lima) disse: é uma das vilas do meu reino que muito amo (…).
Ficar em Viana é fácil, fora do período de Agosto, em que as festas da Senhora da Agonia fazem da cidade o mesmo que o S. João faz ao Porto: atravancam tudo. E a dois passos da cidade praias de areias doces, como a praia do Cabedelo, aguardam os mais amantes de sol, do mar e dos desportos aquáticos.
Toda a região de Viana está virada ao mar, em anfiteatro, exposta aos ventos que do Atlântico arrastam grandes massas de vapor de água, as quais vêm condensar nos montes vizinhos.
Não é, pois, à riqueza do seu solo, que deve a luxuriante verdura que tanto a caracteriza, e a variada gama de produtos que apresenta, mas sim à abundância de água que o lavrador explora com afinco, e que permite a prática de culturas irrigadas, às extrumações em que ele não é avaro, e aos incessantes cuidados que ele ministra às suas culturas.
Património Monumental
Igreja Matriz de Viana do Castelo
É um templo do séc. XV que denota a influência de canteiros galegos. O portal, com múltiplas arquivoltas, apresenta esculturas dos apóstolos e as aduelas profusamente decoradas. É sobrepujado por uma rosácea. A franquear o conjunto, estão duas volumosas torres coroadas por ameias chanfradas. O interior é de três naves com capelas no transepto. Imóvel de Interesse Público.
Igreja da Misericórdia
A sua construção foi iniciada em 1520 e prolongou-se até finais do século. O projecto deve-se a João Lopes, o Moço. É uma das obras de arquitectura civil mais interessantes desta época. A fachada, voltada para a Praça, é formada por duas varandas alpendradas com colunas profusamente esculpidas, que assentam numa arcaria de arcos de volta redonda com colunas jónicas. A encimar a fachada tem um frontão triangular. No lado poente, salienta-se o portal de granito, com diversas esculturas.
Casa de João Velho ou dos Arcos
Edifício do séc. XV que pertenceu ao navegador João Velho. Tem ao cimo do piso térreo um alpendre em arcaria que faria parte de um conjunto de arcadas que envolvia a Praça Velha.
Dos três arcos, dois são ogivais e um de recorte românico. Na fachada principal, apresenta três elementos antropomórficos esculpidos. Interiormente foi objecto de sucessivas alterações, sendo as que efectuaram em 1914, para ali se instalar o Instituto Histórico do Minho, as que mais o descaracterizaram.
Chafariz da Praça da República
Chafariz em granito, de dupla taça, com quatro carrancas de onde jorra a água para um tanque. Foi elaborado por João Lopes, o Velho, canteiro vianês, e concluído em 1559. A coluna fusiforme, termina com vários elementos fitomórficos e zoomórficos e é encimada por esfera armilar, de ferro. Monumento Nacional
Forte ou Castelo de Santiago da Barra A construção foi iniciada no reinado de D. Sebastião (1507), e sofreu ampliações e reformas no princípio da dominação filipina. Em 1770 e 1779 foi objecto de novas reparações e reconstruções. É um forte de forma poligonal, abaluartado. Conserva ainda, a norte, um revelim. Imóvel de Interesse Público.
Igreja de Nossa Senhora do Carmo
A classificação inclui o claustro, a capela nele existente, o recheio de talha e a imaginária. Pertenceu aos Carmelitas Descalços. Foi construída na primeira metade do séc. XVII (1621 – 1647). De realçar as talhas dos altares da nave e transepto, o forro em caixotões e a sacristia com os arcazes, azulejos do séc. XVIII e molduras em talha. Imóvel de Interesse Público.
Palácio dos Viscondes de Carreira ou dos Távoras
É uma construção do séc. XVI que foir reformada em inícios do séc. XVIII. A fachada, de dois pisos, é corrida. Três dos portais, decorados, denotam influências manuelinas. No andar nobre, alternam janelas de sacada e de peito. Todas têm molduras de pedra lavrada, havendo duas em que a decoração se estende praticamente até à cornija. Ao centro, o brasão dos Abreu Lima veio substituir o dos Távoras, destruído durante a vigência do Marquês de Pombal. A casa é coroada por ameias estilizadas.
Antigos Paços do Concelho de Viana do Castelo
A construção foi iniciada no reinado de D. Manuel I e concluído já com D.João III. É um edifício de dois pisos inteiramente construídos em granito, e em que o piso térreo é formado por um alpendre com três arcos ogivais. No andar superior desenvolvem-se três janelas de sacada. O imóvel é coroado por ameias chanfradas. É ainda visível, a encimar as janelas, um escudo régio, uma esfera armilar e um veleiro, símbolo heráldico de Viana do Castelo.
Citânia de Santa Luzia (Ruínas da cidade velha de Santa Luzia)
Povoado fortificado da Idade do Ferro / época romana, extensamente escavado, sendo de referir o aparelho de algumas construções e os espaços domésticos organizados em “bairros”.Farol de Montedor
Farol de Montedor
O Farol de Montedor está localizado na zona norte de Viana do Castelo, mais exactamente na freguesia de Carreço na posição: 41º 44′ 9” N / 008º 52′ 4” W. É um marco, e um local de muitas festividades.