Vindo de norte ou de sul, tomando a A1, saindo em Coimbra, entrando na EN17 em direcção a Vila Nova do Ceira e Arganil e finalmente seguindo pela estrada N342, chega-se a Avô – vila de invulgar beleza, onde a história e a lenda se confundem aumentando o seu especial encanto.

Esta vila pitoresca surge-nos como um hino à beleza, ajudada pela confluência do rio Alva com a ribeira de Pomares, onde as altas margens escarpadas são decoradas pelo arvoredo e por arbustos silvestres. Paragem obrigatória de pintores, Avô constitui por si só uma tela imponente onde se cruzam o granito, por vezes maquilhado de branco, os socalcos das vinhas e o manto verde da alfombra florestal. Avô é uma localidade pitoresca de vale do rio Alva.
O topónimo da vila é explicado pela lenda popular. Diz-se que estando o velho Egas Moniz com o seu neto predilecto, Pedro Afonso, avisaram-no de nova arremetida dos Mouros. Pedro Afonso terá pedido ao avô para, dada a sua avançada idade, não se arriscar e para permitir que fosse ele a chefiar os soldados. Egas Moniz, porém, teimou em acompanhar o neto e prometeu-lhe alguma terra que conquistassem, para aí poder erguer um castelo. Este seria o seu presente de casamento, pois Pedro Afonso ia desposar D. Urraca, filha de D. Afonso Henriques.
Enfrentaram os Mouros e tomaram terras de grande belezas nas margens do Alva. Egas Moniz cumpriu o prometido – encontrando sítio ideal, mandou construir um castelo que servia de residência a Pedro Afonso e D. Urraca. Porém, pouco tempo depois, voltaram os Mouros e de novo, avô e neto, saíram a enfrentá-los. Regressaram vencedores, mas Egas Moniz tinha ficado muito ferido. Salvo pela sua robustez física, apesar de muita idade, propôs a Pedro Afonso que, em honra do velho guerreiro, aquela terra se chamasse para sempre terra do Avô.
Historicamente, Avô foi couto de D. Afonso Henriques e por ele doada a sua filha bastarda D. Urraca. Mais tarde passou para a mitra de Coimbra, cujos bispos juntaram aos seus títulos o de alcaide-mor de Avô. A austeridade e altivez do granito presente no castelo, nas pontes e nas igrejas, confere à vila sobriedade e encanto, bem patente no solar seiscentista que foi de Brás Garcia de Mascarenhas, autor do poema épico Viriato Trágico. Homem destemido, nestas terras da Beira organizou a célebre campanha de cavalaria denominada “Os Leões”, pelas façanhas praticadas pelos seus cavaleiros na Guerra da Independência. Sabendo que rebentara em Lisboa a revolução do 1º de Dezembro de 1640, apresentou-se ao serviço de D. João IV e partiu da vila de Avô, indo ocupar a praça de Pinhel, onde travou temerárias escaramuças com os castelhanos, que culminaram com a aclamação do novo rei de Portugal.
Monumentos
A fundação da Igreja Matriz atribui-se ao primeiro rei de Portugal, mas a lenda também conta que teria sido construído para o casamento da infanta com Pedro Afonso. O templo sofreu grandes modificações no século XVIII, apresentando grandes contrastes entre as cantarias graníticas e as brancas paredes. Contém preciosas obras de talha, nomeadamente o retábulo do altar-mor (Renascença). Em Avô existiu também um mosteiro templário de que resta a capela gótica e ruínas das celas dos monges-cavaleiros.

O castelo foi peça de relevo na defesa do território durante a reconquista medieval. Situa-se no alto do monte onde se desenvolve a povoação, na margem do rio Alva.
Actualmente, subsistem alguns panos da muralha. O recinto tem cerca de 1800 m². A primeira fortaleza medieval foi mandada edificar por D. Afonso Henriques, depois mesmo do pai, conde D. Henrique, ter doado Avô ao Bispo de Coimbra. D. Sancho I concede-lhe foral em 1187, confirmando essa doação.
Nas lutas entre D. Sancho II e D. Afonso III, o castelo é destruído, vindo a ser recuperado por D. Dinis, reinado de que datam os actuais vestígios. A partir de 1856, acelera-se a destruição do castelo, tendo muitas cantarias sido usadas na ponte da Ribeira de Moura e em obras particulares. A tipologia é gótica militar. O recinto de forma irregular. Hoje ainda encontramos as suas ruínas.
De salientar que da capela de S. Pedro, mais um dos monumentos que aqui podemos visitar, desfruta-se de uma vista magnífica sobre a vila. No ponto em que o rio e a ribeira de Pomares se encontram, forma-se uma ilha, a do Picoto, local muito agradável que conta com uma simpática esplanada.
Outros vestígios arquitecturais são a capela de S. Miguel, um aproveitamento de um edifício medieval, a capela de Nossa Senhora dos Anjos e também o pelourinho, que possui fuste entrançado com anel em ferro, encimado por capital anelar com remate alongado e decorado.
Em redor do rio concentra-se a maior beleza, tornando-se a praia fluvial uma boa alternativa às praias do Litoral.
Gastronomia
Os pratos mais tradicionais são o peixe do rio e a entremeada.
Temos ainda (num valioso contributo da Cristina da Costa) a chanfana acompanhada de batata cozida, arroz doce, teziilada, carolos, biscoitos grossos e esquecidos, e a bola de sardinha/bacalhau.
Artesanato
Avô tem poucas tradições de artesanato, embora a latoaria tenha algum destaque.
Festividades
A vila tem a sua festa nos dias 14 e 15 de Agosto, este último, dia da sua padroeira Nossa Senhora da Assunção.
Na gastronomia temos mais variedade daquela que aqui descrita, temos a chafana acompanhada de batata cozida, arroz doce, teziilada, carolos,biscoitos grossos e esquecidos(que são um tipo de biscoitos),bola de sardinha/bacalhau. A verdade é que eu nunca ouvi dizer que a entremeada fosse um prato tradicional de Avô. Visto que sou filha da terra.
subscrevo o anterior comentário, conhecedora da região, particularmente avô e Coja e nunca ouvi que a entremeada fosse um prato tradicional de avô,
Como sou uma Avoense, embora tenha vindo para Lisboa com quatro anos de idade, todos os anos passo uns dias a recarregar baterias nesse belo local e realmente nunca ouvi falar na entremeada como prato tradicional, e quem se lembra dos torresmos feitos c/ vinho tinto no tacho de barro preto??? …hum já se comiam…mas tenho que esperar até
Agosto.