Casal Novo uma pequena aldeia da Serra da Lousã, aparece-nos por entre encostas paradisíacas de frescura e arvoredo. Aqui instalaram-se estrangeiros vindos do Norte da Europa, acreditando ter encontrado nesta centenária aldeia de xisto uma espécie de paraíso original.

Aldeia da Serra da Lousã, Casal Novo foi palco de um combate travado a 14 de Março de 1811, quando o exército francês, comandado por Massena, retirava das linhas de Torres Vedras para Norte e se viu obrigado, em vez de atravessar o Mondego, a desviar para a Beira pela estrada de Miranda do Corvo à Mucela. Na manhã daquele dia, os homens do exército aliado encontraram a divisão de Loison postada nas alturas de Casal Novo, a leste de Condeixa.
Começou aqui a acção que alguns escritores da época chamaram “das posições”, devido ao rigor e grande sentido táctico que Ney, comandante da retaguarda, conseguiu, através da ocupação de certas linhas sucessivas, retardar, durante o dia, o avanço do inimigo até aos altos de Vila Seca e Chão de Lamas. Contudo, Wellesley, comandante dos anglo-lusos, por ameaças contra as alas e comunicações do adversário, obrigou, na noite de 14 para 15 de Março, a retirada deste para a margem direita do Ceira.
Casal Novo é, pode dizer-se, uma aldeia de fim-de-semana. A arquitectura ordenada e as casas relativamente amplas, conferem-lhe uma certa pujança, quando comparada com as outras aldeias que decoram a Serra da Lousã. Encontramos também fantasias arquitectónicas como mirantes e encantadoras varandas. Merece a pena descer até uma pequena eira onde se pode descansar um pouco e regalar a vista com o quadro oferecido pelas restantes aldeias que salpicam e dão vida á Serra. Deparamo-nos com uma paisagem de verde e montanhas a perder de vista, onde a música da água a correr compõe ainda mais o ambiente.

A partir de 1976, teve início um processo de recuperação de quase todas as casas desta aldeia tendo em vista a constituição de residências secundárias. Estes novos proprietários cuja residência principal se localiza em centros urbanos (em especial Coimbra), souberam, na maioria dos casos, utilizar materiais tradicionais e manter o traço típico das habitações.
Porém, ao longo de quase todo o ano, o aspecto deserto das suas ruelas não deixa de simbolizar o abandono da Serra pelos seus primeiros construtores.