Coja dista doze quilómetros da sede de concelho, estando situada na margem esquerda do rio Alva. O nome desta vila vem da palavra árabe copje, que corresponde à palavra latina proetor (pretor), significando povoação do pretor.
O Alva, rio que banha Coja, é a espinha dorsal da região, vale de múltiplas ribeiras confluentes. Sobe em meandros apertados, serpenteando em demanda de Arganil, histórica sede da vasta e típica região que vai do Zêzere ao Mondego, quedando-se por fim em Coja, a vila-princesa, cantada por poetas. É o Alva das lendas e dos mitos.

Os turistas deliciam-se com esta terra de xisto, onde a história espreita em cada esquina, onde apetece ser poeta ou pintor, para gravar na memória esta vila, princesa de Arganil.
É povoação muito antiga. Existe um documento de Louvam, datado de 1121, pelo qual Soeiro e sua mulher, Eva, fazem doação da sua vinha em Telhado, junto a Coja. D. Afonso Henriques, em 1128, transformou Coja num couto dos bispos da cidade de Coimbra, mas, aquando das lutas travadas entre Sancho II e seu irmão, o Bolonhês, o castelo foi arrasado e grande parte da população foi sacrificada, sofrendo a vila um despovoamento. O Papa Inocêncio XIII, através de uma bula que endereçou a D. Sancho II a 20 de Agosto de 1254 ordenou a reconstrução do castelo. O bispo de Coimbra, D. Egas Fafe, repovoou Coja e concedeu-lhe foral em 1260.

D. Manuel concedeu à vila foral novo em 1514. Coja sempre foi olhada com muita estima pelos bispos de Coimbra e, no século XVI, D. Jorge de Almeida transformou a povoação num couto de caça e pesca. Coja foi ainda sede de concelho extinto em 1853.
Monumentos
Rica de solares e igrejas, ermidas e capelas, esta vila é local farto de monumentalidade, beleza e tranquilidade. Coja possui vários monumentos de grande interesse. Na praça ergue-se o pelourinho de estilo manuelino, uma pinha de folhas a rematar a sua haste oitavada. A Igreja Matriz, construída durante o período de Oitocentos, possui uma fachada com características arcaizantes. O mesmo se verifica no interior – os retábulos, lavrados pelo entalhador da Cerdeira, José Gonçalves de Abreu, lembram os do século XVIII. Os púlpitos estão assentes sobre grupos de três mísulas fundidas. As imagens que ornamentam os altares crê-se terem pertencido a extintos colégios ou conventos de Coimbra. De salientar a imagem de S. Pedro que pertenceu à Capela de Santo António. É de calcário, quatrocentista e pensa-se que tivesse adornado a capela do Paço Episcopal, do qual nada resta actualmente.
A Capela de Nossa Senhora da Ribeira sofreu várias reconstruções, datando a última de meados do século XX, embora as portas e as janelas sejam reaproveitamentos do século XVIII. No nicho central do retábulo policromado e dourado encontra-se a imagem quinhentista da Virgem com o Menino.
A Capela de Santo António data da segunda metade de Setecentos. O retábulo, do século XVIII, alberga as imagens do Santo que lhe dá o nome, de um Santo bispo e de uma Santa mártir. Em frente, encontramos a Capela da casa do Prior Costa que guarda um exemplar notável da estatuária quatrocentista – a Virgem com o Menino. A vila conserva ainda várias casas solarengas, dos séculos XVIII e XIX. Na praça encontram-se duas. Uma, com capela anexa, ostenta uma larga fachada dividida por pilastras. A outra possui janelas de aventais recortadas. Do antigo Paço, residência dos bispos de Coimbra, e do castelo, nada resta.
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