Com mais de 8 séculos de existência, a Vila de Góis está situada a 40 Km de Coimbra, num vale (Vale do Ceira) estreito e profundo, entre as serras do Carvalhal e do Rabadão. Góis, pela sua natureza rural, tem muito para oferecer aos visitantes que o visitam. O rio, principal elo de ligação de todo o Concelho, dá aos visitantes e veraneantes uma paisagem deslumbrante, desde a terras altas da freguesia do Colmeal até ao Cerro da Candosa (freguesia de Vila Nova do Ceira), local onde se despede do concelho de Góis para dar entrada no da Lousã.

A fundação da vila é atribuída ao Conde D. Henrique, no século XII. D. Manuel concedeu-lhe foral a 20 de Maio de 1516.
Foi dos condes de Sortelha, que por casamento estavam entroncados com os descendentes de Anião de Estrada. Esse senhor foi confirmado por D. Afonso V na pessoa de D. Nuno Martins da Silveira, escrivão da puridade daquela comarca.
Monumentos
Do antigo, restam na freguesia de Góis alguns notáveis monumentos, que impõem a que neles nos detenhamos: a igreja matriz, construção original do século XV, sofreu grandes modificações nos séculos seguintes. A frontaria data do século XIX. O interior é de uma só nave. A capela-mor, coberta por uma abóbada manuelina, contém um retábulo dos fins do século XVIII ou princípios do século seguinte e foi construída no século XVI, sob o risco de Diogo de Castilho, precisamente quando a arte gótica se ia extinguindo no nosso país.
Pode reconhecer-se ainda, ponto por ponto, a obra realizada por mestre Castilho em satisfação das exigências do contrato referente a benfeitorias ordenadas por D. Luís da Silveira, senhor do morgadio de Góis, em edifício da sua terra. “O estromento que me fez de obrigação das obras da capela maior da igreja e dos Paços Novos de Góis, entre o Mestre das Obras e o Senhor Luís da Silveira”, há largos anos descoberto e publicado em “Um Túmulo Renascença”, é uma das mais notáveis peças documentais que podem apresentar-se para esclarecimento da técnica e terminologia das construções manuelinas, representativas do gótico final. Na igreja encontra-se também o túmulo de D. Luís da Silveira (conde de Sortelha e embaixador de D. João III na corte de Carlos V) e de seus familiares, aparatoso mausoléu formado por uma arca, com a estátua do fidalgo, armado e em oração, enquadrada por um baixo-relevo evocativo da Assunção de Nossa Senhora. Data de 1513 e é trabalho muito perfeito: o riquíssimo estilo renascença tem neste monumento um completo e bem conservado exemplar. É feito em pedra de Ança, e os mais diversos lavores, em que os emblemas cristãos se misturam com os mitológicos, adornam com profusão esta preciosa peça de elevado valor artístico. Pelo seu realismo, é atribuído a Hodart, célebre imaginário francês. No altar-mor admiram-se algumas pinturas sobre madeira do século XVI. A pia baptismal, da mesma época, tem bojo canelado e ostenta as armas dos donatários.

A capela do Castelo é uma construção manuelina coroada de merlões e composta de dois corpos desiguais abobadados sobre nervuras. Das paredes brancas sobressai a cantaria. Sobre a porta figura um brasão de armas. Dentro da capela apenas é digno de nota o retábulo que contém a imagem de Nossa Senhora da Encarnação.
A capela de S. Sebastião é um edifício setecentista de plano octogonal. Apresenta cantarias de esquinas, um portal ornado e cúpula com fecho de pedra. Guarda um retábulo do século XVIII e duas esculturas de madeira da mesma época. A fonte, de arco pleno completamente revestido de azulejos sevilhanos em relevo, data do século XVI.
A Ponte Manuelina, é igualmente, uma estrutura viária de grande importância que, com os seus 3 arcos, simboliza toda uma época, sendo considerada património nacional. O arco central ostenta um escudo nacional ladeado por cruzes de Cristo encimando esferas armilares. A construção desta ponte data do século XVI. Terá sido mandada construir pelo rei D. Manuel.
Os tectos apainelados dos Paços do Concelho, são uma obra de grande valor artístico onde são representadas figuras bíblicas e de fantasia, são igualmente considerados monumento nacional.
O Castelo de Góis, é igualmente um local onde a história e a beleza paisagística se entrecruzam, obtendo-se uma linda panorâmica da Vila, num horizonte muito alargado.

Em redor de Góis damos um passeio por um vale de sonho, cruzando pontes centenárias, paisagens bucólicas, onde o socalco é rei. Esbeltas florestas pelas Serra do Rabadão e do Carvalhal, ou por recantos, onde o rio salta com eterna impetuosidade, sobre a majestosa fraga na qual se ergue a Ermida da Nossa Senhora da Candosa.
Ao sul da vila situa-se o célebre Penedo de Góis, de onde se desfruta um panorama de imponente beleza.
As praias fluviais, servidas pela bela paisagem circundante e pelas límpidas águas do Ceira são frequentadas, na época de Verão, por milhares de turistas e de residentes. Mas, além do rio, também a montanha está presente, permitindo passeios, tanto de automóvel como a pé, ou mesmo de bicicleta ou moto.
Gastronomia
Com o andar dos tempos, muitos foram os pratos tradicionais que se perderam, no entanto, está a ser feito um esforço para que se recuperem para a gastronomia dos nossos dias, tendo sido já possível recuperar a célebre sopa de castanhas e o Bucho de Góis. O pão de milho, a célebre broa, são alimentos típicos de Góis que são muito apreciados tanto pelos residentes como pelos visitantes.
O mel, um dos mais apreciados de Portugal, é um condimento que entra em alguns pratos típicos de Góis, tais como nas Filhós de Mel.
Artesanato
Em Góis produzem-se artigos artesanais de grande qualidade, tais como artigos em estanho e rendas.
Festas, feiras e romarias
Todas as terças-feiras é realizado o mercado semanal, a 13 de Agosto é realizada a feira anual e a 1 de Novembro tem lugar a Feira dos Santos. A festa de S. João a 24 de Junho e o Feriado Municipal a 13 de Agosto são as festividades principais.
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