Como exemplo das artes tradicionais, mais representativas do Parque Nacional do Alvão, temos a cestaria em madeira de castanheiro, os socos em madeira de amieiro), os artefactos de lã, as cobertas, as mantas de farrapo, os chapéus de palha a partir do centeio, o linho, olaria negra de bisalhães.
As roupas do povo faziam-se exclusivamente a partir das matérias-primas locais. Do junco faziam-se as croças, os coruchos e as perneiras, peças de vestuário fundamentais aos pastores, que assim se pretegiam do frio e da chuva nos rigorosos Invernos.

A tecelagem, onde o linho foi, até algumas décadas, foi a principal fibra utilizada no vestuário e na roupa de casa. Actualmente mantém-se a prática de tecer as toalhas com frases e desenhos ripados em algodão e as célebres colchas Coroa de Rei, tão procuradas como produto artesanal local.
Actualmente os ofícios tradicionais estão em declínio ou já desapareceram totalmente. Os mais conhecidos eram os ferreiros, almocreves, ferradores, tamanqueiros, carpinteiros, pedreiros, tecedeiras, entre outros.
Todos os artesãos vendem nas suas próprias casas, nos locais de trabalho ou nas Festas, Feiras e Romarias da especialidade.
A Tradição do Alvão
A presença humana nesta região é milenar. Esta foi, outrora, uma região bastante povoada, pois os seus planaltos eram propícios ao pastoreio e às actividades agrícolas.
Com a sua fixação aproveitou os melhores espaços das aldeias. São os campos de centeio, milho e batata que associados ao feijão e hortícolas asseguram parte da alimentação humana.
Mas para além disto temos os lameiros que são campos onde cresce pastagem espontânea para ser consumida em verde ou sob a forma de feno pelos bovinos de raça maronesa.
Também aproveitam as arbustivas que se desenvolvem no imenso baldio de uso comunitário. Senhores do baldio são os rebanhos de raça bravia que estando em vias de extinção aqui encontram espaço e alimento para produzir excelentes cabritos que se convertem na principal fonte de rendimento de dezenas de famílias de pastores.
A riqueza florística do baldio é igualmente favorável à produção de mel de qualidade .
Nesses locais são inúmeras as inscrições rupestres e outros vestígios antropomórficos e zoomórficos, registando-se também a existência de dezenas de dólmenes.
As aldeias apresentam ainda hoje construções tradicionais de grande valor arquitectónicotodas, onde a variedade de dependências agrícolas é bem notória, já que a actividade que aqui predomina é a agro-pecuária. São casas tradicionais, construidas com material próprio da região. Consoante a geologia do local, umas casas têm as paredes de granito e os telhados de colmo (palha de centeio), já nas habitações de xisto, a cobertura é a lousa. Sendo que os primeiros materiais estão associados aos vales e os segundos aos planaltos, onde sobressaem as aldeias de Ermelo, Barreiro, Lamas de Olo e Arnal.