Artesanato de Bragança do cobre e zinco à tecelagem

O artesanato tradicional produzido em algumas das aldeias de Bragança ainda não perdeu o cariz utilitário que desde sempre lhe esteve subjacente, materializando-se em objectos úteis e funcionais, mas também em peças mais ligadas aos actos festivos e à decoração, reforçando a sua expressão estética.

A permanência das necessidades tem invalidado o desaparecimento deste tipo de actividade e do próprio artesanato. Assim, durante o percurso poderá admirar o trabalho de vários artesãos.

Artesanato Bragança

Em cobre produzem-se essencialmente, alambiques e caldeiras, usadas na confecção de doces e enchidos ou como tachos de uso quotidiano. O repertório das formas em zinco é mais variado, incluindo, igualmente, caldeiras, para idêntico uso ao das de cobre, mas também cântaros, candeias, almotolias, funis e regadores para a rega dos hortos. Os trabalhos em madeira também foram outrora mais fundamentais na vida destas comunidades.

Actualmente, ainda há quem saiba construir um carro de bois, em Gimonde, não há muito tempo, foram executados dois, mas apenas o fazem, excepcionalmente, sob pedido.

À festa estão, desde há muito, ligadas as máscaras que disfarçam os rapazes nas festas de Santo Estevão – os chamados caretos, por alturas do solstício de Inverno; a peculiaridade e originalidade desta tradição ancestral motivou alguns artesãos a produzir estas máscaras com uma finalidade, essencialmente, decorativa, a qual é também patenteada na feitura de bengalas, de castanho ou salgueiro, ou no aproveitamento das raízes de urze, numa recriação dos seres mais ou menos fantásticos que lhes povoam a imaginação.

Cestas de Bragança

A cestaria artesanal continua viva em muitas das aldeias, da Lomba à Lombada. É uma actividade essencialmente feminina, embora fosse frequente assumir o outro género quando desenvolvida no seio de comunidades ciganas.

Tecelagem

O trabalho artesanal feminino estende-se ainda, e talvez tenha aí a sua expressão mais interessante, à tecelagem. Desde tempos remotos, a transformação da lã e do linho assume grande importância, sobretudo no seio de comunidades humanas que ao longo do tempo foram tendencialmente autárquicas. O linho da região assumiu notoriedade no Império Romano, sendo bastante apreciado em Roma, onde era utilizado na execução de redes de caça, e manteve-se presente no quotidiano das populações até à actualidade.

Estas comunidades de montanha têm também à sua disposição um outro recurso bastante usado na produção têxtil: a . A genuína da região é proporcionada pelos ovinos da raça Churra Galega-Bragançana.

Passados os rigores invernais faz-se a tosquia dos rebanhos – geralmente, nos inícios ou meados da Primavera – sendo o velo (lã) enrolado em feixe e arrecadado sujo até ter serventia; a lã para ser utilizada tem de ser amolecida em água quente, de um dia para o outro, para, em seguida, ser lavada, em água fria ou na correnteza do rio, e batida, antes de secar ao sol. Depois de seca e escaramiçada, ou carmeada, está pronta para ser fiada e, depois, tecida. Os tecidos de linho e lã, a par dos de algodão e trapos, têm aplicações diversas ligadas ao vestuário, de trabalho e de lazer, e aos usos domésticos.

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